Cenário externo pode dificultar a nossa tarefa
Estou de volta aos gramados após um breve período de recesso (uma semana).
E veja que eu tive dúvidas se realmente eu deveria tirar uma semana para descansar.
Contudo, lendo o livro Dá um Tempo, de Izabella Camargo, fiquei mais do que convencido da necessidade de descansarmos.
Izabella mostra como estamos sempre correndo contra o tempo, sem parar, sem descanso, sem pausas - e os riscos que esse tipo de conduta nos traz.
Enfim, estou revitalizado.
Então vamos para a discussão de hoje.
TRUMP DE NOVO
Esses anos têm sido conturbados em parte por conta da conduta errática de Donald Trump.
O preço chega, como sempre ocorre (tanto em nossas vidas pessoais quanto na economia, iremos sempre pagar o preço de nossas ações).
Nos EUA, a dívida pública tem subido, com o aumento do pagamento de juros. Há sinais de crise fiscal chegando, como o aumento dos juros de longo prazo (investidores estão menos confiantes na capacidade dos EUA em pagar os títulos com os juros prometidos).
No Brasil, estamos vivenciando esse tipo de episódio, com taxas de juros de longo prazo altíssimas, da ordem de 8% ao ano mais a inflação. Não consigo imaginar que o país conseguirá prosseguir por muito tempo pagando juros tão elevados.
Alguma coisa irá ocorrer no caminho.
COISA BOA?
Eu argumentei que teremos um ajuste fiscal em 2027.
Expressão melhor seria "deveríamos ter".
O ajuste fiscal, com o corte de gastos, contenção das despesas e aumento dos impostos - logo se vê por que ninguém gosta de ajustes -, iria melhorar as contas fiscais, reduzindo a dívida pública e a taxa de juros.
A Selic voltaria para um dígito.
O ajuste fiscal é o que a economia mostra que deveria ser feito.
Mas ele será feito?
O CENÁRIO EXTERNO NÃO VAI AJUDAR
Os ventos externos impõem desafios.
Como antecipei, Trump tem sacudido o planeta com suas políticas comerciais e guerras.
O resultado é uma recessão.
Note então que 2027 pode nos reservar uma recessão com cortes de gastos.
É o preço chegando...
A RESPOSTA É SOMENTE CORTAR GASTOS?
Eu diria que não.
Em outro artigo escrito com pesquisadores da África, nós mostramos que o gasto público pode contribuir com a redução do desmatamento das florestas.
A moral é que se o gasto público ajuda ou atrapalha é algo que depende da forma como ele é construído, utilizado e empregado.
Em outras palavras, o formato da política deve ser muito bem desenhado para que o gasto não se torne em desperdício.
E o Brasil, como sabemos, é pródigo em desperdiçar recursos.
Leia-se, nossos impostos.
Todo recurso público usado pelo governo adveio de nós, os "contribuintes".
AJUSTE FISCAL, SÉRIO MESMO?
Seríssimo!
Sei que é uma medida pouco popular.
Sabemos que reformas, como a reforma previdenciária, são pouco desejáveis (outro problema é que o custo das reformas costuma ser jogado nos grupos mais frágeis da população, gerando o clima de insatisfação com o fardo carregado).
Mas teremos de discutir essas pautas.
Seria recomendável que discutíssemos como gastamos os nossos recursos.
Essa comissão iria barrar gastos pouco produtivos e dar aval para os gastos que de fato contribuem para a nossa prosperidade.
Desta forma, terminaria a criação quase aleatória de políticas e programas públicos com pouco aval econômico, digo, com pouco sentido econômico - mais prejudicam do que nos ajudam.
Não é uma invenção minha.
Outros países têm comissões.
É uma forma de melhorar o gerenciamento dos nossos recursos.
Enfim, há material e ideias para melhorar o gasto público.
Falta é aplicação.

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