quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Como Será 2027?

Ajuste fiscal nos espera

velha economia


É sempre difícil fazer previsões - muitas coisas mudam, eventos inesperados acontecem e humanos podem ser imprevisíveis.

Veja Donald Trump, por exemplo.

Quando assumiu o seu segundo mandato, em janeiro de 2025, ele surpreendeu o planeta com suas tarifas

Há anos ele falava delas, mas poucos acreditaram (eu inclusive) que ele iria de fato implementá-las, ainda mais na magnitude com a qual foi empregada. 

E que surpresa (desagradável)!

Parte da pouca credibilidade dada a Trump é que o aumento das tarifas prejudica, na maior parte dos casos, o próprio país que as implementa.

"Não é possível que Trump dê tiros no seu próprio pé".

Sim, foi isso mesmo.

E continuo com a minha opinião de que o aumento das tarifas é uma péssima política comercial e econômica.

Vivemos na era das cadeias globais de valor, na integração de mercados, na complementariedade na produção de mercadorias.

A Apple, por exemplo, utiliza por volta de 30 países para produzir o Iphone que chega nas lojas. 

As tarifas, ao encarecer essas transações, prejudicam a produção.

E tarifas, apesar do nome, são impostos. Penalizam os consumidores.


SOBRE O BRASIL

Agora em agosto, o país tem uma alta dívida pública, com elevado pagamento de juros

Não há o menor indício de que algum contingenciamento do gasto irá ocorrer.

O país se comporta como um perdulário teimoso: gasta e gasta e não pensa em ajustar as contas.

O resultado é sempre o mesmo: aumento do endividamento.

Como argumentei no ebook A Estranha Lógica da Economia Brasileira, a vida do devedor é mais difícil do que a do credor. 

O Brasil é um devedor. 

Do tipo teimoso. 


SELIC NO CÉU

É uma relação macroeconômica: quanto maiores o gasto público e a dívida, maior tenderá a ser a taxa de juros.

E por isso estamos com uma taxa de juros Selic altíssima.

Não é um absurdo se considerarmos o comportamento das contas fiscais. 

Teremos de esperar o ano de 2027 para que algum ajuste fiscal ocorra.

Não importa quem vencer as eleições presidenciais.

O ajuste vai ocorrer. 


E POR QUE NINGUÉM FALA DELE?

Faz parte do populismo eleitoral evitar expressões do tipo "ajuste fiscal" e "corte de gastos".

O político vai perder votos!

Melhor prometer mais gastos, programas, subsídios e outras regalias. 

Desta forma, em parte, a população é cúmplice com a piora das contas públicas.

Os políticos entregam e prometem o que vende, o que funciona. 

Cortar os gastos é pedir para perder eleições.


MAS O PREÇO VAI CHEGAR

Na verdade, estamos há algum tempo pagando o preço da falta do ajuste fiscal.

A taxa de câmbio estacionou no patamar de 5 reais por dólar, encarecendo nosso custo de vida.

As importações se tornam mais caras.

Viajar para o exterior também. 

A alimentação se torna mais onerosa, visto que importamos parte do que consumimos. 

O câmbio em 5 reais por dólar mostra que nossa moeda perdeu valor.

Outra forma de falar o mesmo é dizer que perdemos poder de compra


COMO SERÁ 2027?

É possível protelar um pouco mais o ajuste fiscal, mas não muito.

No limite, teríamos uma fortíssima crise econômica.

Para 2027, imagino que teremos um ajuste fiscal, com corte de gastos e aumento dos impostos

Reformas ajudariam no esforço, como a reforma da previdência

E não se engane, temos de fazer reformas da previdência.

Não tem como escapar. 

É possível que esse ajuste fiscal gere uma recessão: o país tem crescido empurrado pelo gasto público.

Não é a recomendação.

Idealmente, iríamos crescer por ganhos de produtividade e competitividade internacional

Mas veja que a palavra "produtividade" é rara em debates. 


UM ANO DIFÍCIL?

Sim, 2027 poderá ser um ano difícil para nós brasileiros.

A economia, se retrair, irá gerar menos empregos, menos renda e menos oportunidades.

É custoso arrumar as contas fiscais - por isso poucos políticos se prontificam a fazer tal tarefa.

De bônus, a população os critica. 

Mas é o único caminho para termos uma economia funcionando de forma razoável.

Claro, podemos não ter o ajuste e continuar do jeito que está.

Mas o preço a ser pago seria altíssimo.

Espero que não tomemos esse caminho.


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Vídeo sobre o assunto no canal do Youtube:













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