sábado, 8 de agosto de 2026

Etanol é a Nossa Salvação?

Iremos precisar de mais elementos além do etanol

velha economia


Com alguma controvérsia, o percentual do etanol na gasolina aumentou de 30% para 32%

A motivação da mudança é eleitoreira, segurar o aumento do preço do combustível.

Via de regra, essa proposta pode segurar o aumento do custo por um tempo - no longo prazo, será ineficaz. 

Por quê?

Porque os preços decorrem da lei da oferta e da demanda: atualmente a oferta de petróleo está comprometida com o conflito dos EUA com o Irã. 

Enquanto a guerra não terminar e o fluxo de petróleo voltar ao normal, iremos conviver com essa pressão sobre o preço da gasolina.

Não há governo que consiga mudar as consequências de uma oferta em queda e uma demanda em crescimento.


A MEDIDA É BOA?

Os engenheiros e demais profissionais da área podem nos dizer se o aumento do percentual de etanol na gasolina pode comprometer o funcionamento dos automóveis.

Como economista, tenho nada a dizer sobre esse tópico.

Entretanto, tenho algumas palavrinhas do ponto de vista ambiental e energético.

O etanol é um tipo de energia renovável, derivado da biomassa, sendo um biocombustível. Portanto, ele é recomendável para a preservação do planeta ao emitir baixa quantidade de gás carbônico (CO2).

A troca de combustível fóssil, como a gasolina e o diesel, pelo etanol, é bem vinda em termos ambientais. 


GOVERNO ACERTOU?

Diversos países estão se comprometendo com a transição energética, isto é, a geração de energia de fontes limpas e renováveis (como o etanol) e a redução do uso de energia de combustível fóssil.

A justificativa é que a transição energética é a principal política para salvar o planeta das consequências da mudança climática.

Faz sentido: se o principal fator gerador da mudança climática são as emissões de CO2, então a transição energética, ao reduzir as emissões de CO2, mitiga, em parte, o aquecimento global.


A VERDADE CRUA

Como antecipei, o governo de Lula não mirou a pauta ambiental, pelo menos segundo minha percepção.

Como todo governo populista, a proximidade das eleições tem o impulsionado a expandir o gasto público, programas fiscais e a reduzir a conta de nós brasileiros. 

Lula está imitando o comportamento de Jair Bolsonaro durante as eleições de 2022. E o próximo presidente, se não for Lula, também seguirá essa cartilha.

The same old fears, dizia Pink Floyd. 

Mas há o efeito benéfico: maior uso de etanol, menor agressão ao planeta. 

A economia é recheada de efeitos colaterais. Muitas vezes não intencionais. 


VAI FUNCIONAR?

Em termos ambientais, eu diria que não. 

Eu mostro no artigo Gradual energy transition in South American countries, publicado na Energy Policy, que o aumento da produção de etanol, juntamente com a produção da gasolina, não reduz as emissões de gás carbônico.

Em outras palavras, elevar a quantidade de etanol é insuficiente para combater a mudança climática.

Veja a figura abaixo, que mostra a produção de etanol e de gasolina no Brasil (eu uso índices):

velha economia


Observe que temos aumentado tanto a produção de etanol (barra em azul) quanto a produção de petróleo (barra laranja). Daí o termo que criei no artigo: transição energética gradual

É gradual porque não abandonamos o uso de combustível fóssil. Misturamos energia renovável (etanol) com ele. 

As estimativas mostram que esse não é o melhor caminho.


E AGORA?

Há diversas medidas para reduzir as emissões de CO2. 

Podemos elevar os impostos sobre a gasolina, reduzir impostos sobre o etanol, facilitar a aquisição de placas solares, trocar tecnologias que agridem o planeta por tecnologias que emitem baixa quantidade de CO2. 

A lista é extensa.

O meu artigo mostra que elevar o uso de etanol juntamente com a gasolina não é uma delas.






 





Nenhum comentário:

Postar um comentário