terça-feira, 8 de setembro de 2026

Resenha: A Formação da Nova Zelândia: Uma História Econômica (G. R. Hawke)

Como um país insular se tornou rico e desenvolvido?

velha economia



Eu sei pouco da Nova Zelândia. 

Sei que é um país insular, no qual foi filmada a trilogia de Senhor dos Anéis.

Sei também que a população é de 5 milhões de pessoas.

Sei que é uma economia desenvolvida, com PIB por pessoa da ordem de aproximadamente 50 mil dólares

Em comparação, o Brasil tem PIB por pessoa de 12 mil dólares.

Outro ponto que me chamou a atenção é que os neozelandeses desenvolveram sua economia principalmente pela agricultura, e não pela indústria. 

Um ponto interessante na discussão de desindustrialização.

Então países agrícolas podem se tornar ricos?


FALEMOS DA NOVA ZELÂNDIA

A obra nos conta o passado da Nova Zelândia desde 1890 até os anos de 1970. 

O país foi colonizado pelos ingleses e, ao que tudo indica, foi uma colonização de povoamento, na qual os colonizadores tinham a intenção de construir uma vida - o livro não explora e tampouco discute esse ponto. 

Para comparação, no Brasil, tivemos uma colonização de exploração: os portugueses queriam se enriquecer rapidamente e sair do país. 

A vantagem da colonização de povoamento é que há a preocupação de replicar as instituições do país colonizador.

Ora, quem quer morar em um país sem lei e desorganizado?


COMÉRCIO

Como antecipei, a Nova Zelândia produzia e exportava produtos agrícolas, especialmente

Com a receita, ela importava o que precisava. 

Com a refrigeração, no início do século XX, o país passou também a exportar carne e laticínios. 

Claro, o país se industrializa também. 

É interessante notar que o autor observa que a mão de obra não era barata. Se o livro História Econômica Global está correto em relação ao argumento de que altos salários nos países ricos contribuíram para torná-los ricos, pela adoção de maquinaria para substituir o trabalho, essa explicação poderia servir para a Nova Zelândia. 

Apesar dos gritos dos ingleses para o livre comércio, a Nova Zelândia, como tantos outros países que se industrializaram, utilizou tarifas para proteger a indústria nacional. 

Em um segundo momento, como o Brasil, ela adotou licenças para importar, prática que também protege a indústria local da competição internacional. 


A GRANDE DEPRESSÃO

A crise de 1929 atingiu a Nova Zelândia (NZ) pelo comércio internacional, com a queda de suas exportações.

Com essa queda, o comércio local perdeu o mercado externo. Para quem vender?

Quase ninguém.

Como reação à crise, o governo neozelandês adotou várias medidas para restabelecer o país. 

O país criou o seu banco central, impôs controles no câmbio, licenças para importar, buscou o pleno emprego (baixo nível de desemprego) e aceitou maior inflação como consequência do pleno emprego. 

Nada muito diferente do que tivemos aqui no Brasil. 

A NZ conviveu com problemas no balanço de pagamentos (contas externas), com a necessidade de dólares e moedas conversíveis. 


DÉCADAS 1960 E 1970

O governo passou a participar mais da economia.

Sem retirar o protagonismo do setor privado, mas, como ensinado nos cursos de economia, como complemento ao seu funcionamento.

Por exemplo, de tempos em tempos, o governo impunha o congelamento de preços (controla preços e proíbe reajustes). 

Práticas adotadas, diga-se de passagem, pelo Brasil também. 

No final da obra, o autor discute a frustração da população com o nível de padrão de vida.

Ele é alto, mas não tão alto como nas nações desenvolvidas. 

Como toda economia, a NZ também enfrenta problemas econômicos que exigem respostas adequadas. 


POR QUE ELES SÃO RICOS E O BRASIL NÃO?

De fato, a NZ adotou várias das políticas que são criticadas e crucificadas no Brasil (inclusive por mim).

Então o que explica a disparidade de renda entre esses países?

Em uma palavra? Produtividade.

Como reportado em estudos e estatísticas, a NZ é mais produtiva em produzir e exportar os seus produtos.

Isso por décadas. 

No longo prazo, essa produtividade faz toda a diferença.

Infelizmente o livro não discute as razões dos neozelandeses serem produtivos. 

O livro é muito mais descritivo do que explicativo para esse tipo de questão. 

Todavia, fica a lição de que países agrícolas podem se tornar ricos e desenvolvidos. A NZ não é a única.

(Eu lembrei do final do livro de Acemoglu e Robinson, O Corredor Estreito, no qual os autores fazem justamente esse ponto: políticas não são o fator decisivo para países, mas instituições).


VALE A LEITURA?

Para ser honesto, o livro é um pouco tedioso.

É muito descritivo!

Ok, a proposta da obra é essa.

Mas eu teria reduzido um pouco as descrições e colocado explicações e discussões para temas relevantes.

Por exemplo, a obra não fornece uma discussão sobre por que a NZ não ter a renda per capita de países como a Alemanha e os Estados Unidos.

Outro problema é que o livro vai até 1970.

Faltam quase 60 anos de história não contada.

Adicionalmente, a obra não está traduzida para o português. O seu título é The Making of New Zealand: An Economic History

Por isso que irei complementar essa leitura com outro livro.

(Menos descritivo!)

Conversaremos novamente no futuro, em breve. 








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