Como um país insular se tornou rico e desenvolvido?
Eu sei pouco da Nova Zelândia.
Sei que é um país insular, no qual foi filmada a trilogia de Senhor dos Anéis.
Sei também que a população é de 5 milhões de pessoas.
Sei que é uma economia desenvolvida, com PIB por pessoa da ordem de aproximadamente 50 mil dólares.
Em comparação, o Brasil tem PIB por pessoa de 12 mil dólares.
Outro ponto que me chamou a atenção é que os neozelandeses desenvolveram sua economia principalmente pela agricultura, e não pela indústria.
Um ponto interessante na discussão de desindustrialização.
Então países agrícolas podem se tornar ricos?
FALEMOS DA NOVA ZELÂNDIA
A obra nos conta o passado da Nova Zelândia desde 1890 até os anos de 1970.
O país foi colonizado pelos ingleses e, ao que tudo indica, foi uma colonização de povoamento, na qual os colonizadores tinham a intenção de construir uma vida - o livro não explora e tampouco discute esse ponto.
Para comparação, no Brasil, tivemos uma colonização de exploração: os portugueses queriam se enriquecer rapidamente e sair do país.
A vantagem da colonização de povoamento é que há a preocupação de replicar as instituições do país colonizador.
Ora, quem quer morar em um país sem lei e desorganizado?
COMÉRCIO
Como antecipei, a Nova Zelândia produzia e exportava produtos agrícolas, especialmente lã.
Com a receita, ela importava o que precisava.
Com a refrigeração, no início do século XX, o país passou também a exportar carne e laticínios.
Claro, o país se industrializa também.
É interessante notar que o autor observa que a mão de obra não era barata. Se o livro História Econômica Global está correto em relação ao argumento de que altos salários nos países ricos contribuíram para torná-los ricos, pela adoção de maquinaria para substituir o trabalho, essa explicação poderia servir para a Nova Zelândia.
Apesar dos gritos dos ingleses para o livre comércio, a Nova Zelândia, como tantos outros países que se industrializaram, utilizou tarifas para proteger a indústria nacional.
Em um segundo momento, como o Brasil, ela adotou licenças para importar, prática que também protege a indústria local da competição internacional.
A GRANDE DEPRESSÃO
A crise de 1929 atingiu a Nova Zelândia (NZ) pelo comércio internacional, com a queda de suas exportações.
Com essa queda, o comércio local perdeu o mercado externo. Para quem vender?
Quase ninguém.
Como reação à crise, o governo neozelandês adotou várias medidas para restabelecer o país.
O país criou o seu banco central, impôs controles no câmbio, licenças para importar, buscou o pleno emprego (baixo nível de desemprego) e aceitou maior inflação como consequência do pleno emprego.
Nada muito diferente do que tivemos aqui no Brasil.
A NZ conviveu com problemas no balanço de pagamentos (contas externas), com a necessidade de dólares e moedas conversíveis.
DÉCADAS 1960 E 1970
O governo passou a participar mais da economia.
Sem retirar o protagonismo do setor privado, mas, como ensinado nos cursos de economia, como complemento ao seu funcionamento.
Por exemplo, de tempos em tempos, o governo impunha o congelamento de preços (controla preços e proíbe reajustes).
Práticas adotadas, diga-se de passagem, pelo Brasil também.
No final da obra, o autor discute a frustração da população com o nível de padrão de vida.
Ele é alto, mas não tão alto como nas nações desenvolvidas.
Como toda economia, a NZ também enfrenta problemas econômicos que exigem respostas adequadas.
POR QUE ELES SÃO RICOS E O BRASIL NÃO?
De fato, a NZ adotou várias das políticas que são criticadas e crucificadas no Brasil (inclusive por mim).
Então o que explica a disparidade de renda entre esses países?
Em uma palavra? Produtividade.
Como reportado em estudos e estatísticas, a NZ é mais produtiva em produzir e exportar os seus produtos.
Isso por décadas.
No longo prazo, essa produtividade faz toda a diferença.
Infelizmente o livro não discute as razões dos neozelandeses serem produtivos.
O livro é muito mais descritivo do que explicativo para esse tipo de questão.
Todavia, fica a lição de que países agrícolas podem se tornar ricos e desenvolvidos. A NZ não é a única.
(Eu lembrei do final do livro de Acemoglu e Robinson, O Corredor Estreito, no qual os autores fazem justamente esse ponto: políticas não são o fator decisivo para países, mas instituições).
VALE A LEITURA?
Para ser honesto, o livro é um pouco tedioso.
É muito descritivo!
Ok, a proposta da obra é essa.
Mas eu teria reduzido um pouco as descrições e colocado explicações e discussões para temas relevantes.
Por exemplo, a obra não fornece uma discussão sobre por que a NZ não ter a renda per capita de países como a Alemanha e os Estados Unidos.
Outro problema é que o livro vai até 1970.
Faltam quase 60 anos de história não contada.
Adicionalmente, a obra não está traduzida para o português. O seu título é The Making of New Zealand: An Economic History.
Por isso que irei complementar essa leitura com outro livro.
(Menos descritivo!)
Conversaremos novamente no futuro, em breve.

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