Estamos à altura para enfrentá-los?
No início desse mês, tive a honra de receber o convite do Departamento de Economia (DEE) da Universidade Federal de Viçosa (UFV), para ministrar uma palestra sobre "Políticas Públicas e Macroeconomia".
Eu fecharia o X Seminário de Desenvolvimento e Políticas Públicas (SEDEPP), cuja realização coincide com os 50 anos do DEE.
Bem, o primeiro pensamento que tive foi: o assunto é muito amplo.
Por outro lado, eu gosto de assuntos amplos, com controvérsias.
(Nós da macroeconomia vivemos em controvérsias: é difícil achar macroeconomistas que falem a mesma língua).
Um ponto positivo desse convite é que eu teria de pensar, pesquisar, refletir um pouco mais sobre temas econômicos.
Os 3 Problemas
Eu decidi discutir 3 desafios nacionais, extremamente relevantes.
O primeiro foi o Problema Macroeconômico. A figura abaixo resume a questão.
Ela mostra que o nosso PIB per capita (produção total dividida pela população) está abaixo dos níveis da América Latina e abaixo da Economia mundial (média de todos os países).
Em outras palavras, nós estamos abaixo da média.
Estamos mais pobres do que a média do planeta (e nenhum candidato à presidência está discutindo isso - ponto que resume a qualidade do debate que temos).
Isso é problemático.
Por que nós não somos ricos como os países da Europa?
Foi o que apresentei - e também propus políticas para reverter esse quadro.
O segundo problema é o Problema Climático.
Eu argumentei que nós e os demais países precisamos de reduzir as emissões de gás carbônico, o principal gás responsável pelo aquecimento global.
O terceiro e derradeiro desafio é o Problema Energético.
Temos de avançar no uso de energia renovável e reduzir o uso de energia proveniente de combustíveis fósseis. O êxito no fronte energético irá nos capacitar para enfrentar o problema climático que nos espreita.
TUDO JUNTO
Um dos meus principais argumentos é que tanto a pauta econômica quanto a climática e a energética estão entrelaçadas.
Não há como ignorar uma delas, pois irá representar o insucesso das demais.
Exemplo: o combate ao desmatamento e o avanço da transição energética requerem gastos adicionais do governo.
Mas o governo brasileiro está com dívida pública ascendente, com déficits fiscais e falta de recursos.
Quem financiará as políticas climáticas e energéticas?
De onde virá o recurso?
Entre as soluções que eu recomendei, o ajuste fiscal ajudaria a alocar verba pública para o clima e a energia.
Note que o meu argumento para o ajuste fiscal não é reduzir a dívida pública, mas abrir espaço para que o país possa lutar em outras batalhas.
Sem o ajuste, os problemas climáticos e energéticos ficarão sem financiamento.
Eu defendi que os recursos são escassos, verdade sempre ignorada em debates políticos.
Logo, temos de racionalizar e fazer opções.
O ajuste fiscal é uma forma de resolver a falta de verba para pautas tão importantes quanto a climática e a energética.
MAIS SOBRE NOSSA POBREZA
Mais evidência de que não estamos discutindo o que realmente importa?
Veja a figura abaixo, que mostra o PIB por pessoa do Brasil e da Coreia do Sul.
Eu chamei o gráfico de "A Grande Ultrapassagem" e fiz referência ao humilhante 7 a 1 aplicado pela Alemanha sobre a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014.
No passado, éramos mais ricos do que a Coreia do Sul. Mas veja que a linha vermelha não somente nos ultrapassa, como também alarga a vantagem, nos deixando comendo poeira.
Isso sim é humilhante! O 7 a 1 no futebol é nada!
Hoje a Coreia do Sul é um país rico e desenvolvido. Sua população tem melhor educação, saúde, poder de compra e acesso do que nós brasileiros.
O que eles fizeram?
Por que não fizemos parecido?
Não sabe a resposta?
Ora, não me espanta, pois não discutimos os pontos centrais de nossos problemas.
Na minha opinião, as figuras acima mostram o nosso principal problema econômico: estamos estagnados.
Minha apresentação pode ser vista aqui, com todos os slides disponíveis.
Abaixo é uma foto durante a apresentação.




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