Gravidade Dependerá de Nós e do Planeta
O grupo do Mercosul enfrenta vários desafios econômicos e sociais. Por exemplo, como mostra a figura abaixo, há insegurança alimentar nessas nações.
Insegurança alimentar se caracteriza quando o indivíduo teve, durante um ano, algum episódio de fome, ausência de alimentos ou ingestão insuficiente de alimentos. Sim, famílias mais pobres são as mais vulneráveis neste quesito.
A figura não deixa dúvidas. Note que na Argentina, por volta de 35% da população sofreu insegurança alimentar. No Paraguai, esse valor é de 25%, é de 15% a 20% no Brasil e de 15% no Uruguai.
Portanto, famílias passam fome nesses países, o que é nenhuma novidade, mas é sempre importante relembrar e colocar em voga essa discussão.
(Com um problema tão grande e que exige ação, não é estranho o bloco discutir questões no mínimo abstratas de criação de uma moeda comum, à la a Zona do Euro?)
Em termos práticos, no Brasil, isso significa que a cada 5 brasileiros, 1 sofreu episódio de insegurança alimentar. Claro, você pode me questionar: "mas todos meus amigos não têm esse problema".
"Os problemas de meus amigos - continua o senhor a me falar -, são relativos a aumentar a renda, melhorar a carreira e desfrutar de melhor padrão de vida; mas nada de falta de comida".
Concordo. O mesmo ocorre comigo.
É que vivemos em bolhas.
Em geral, pessoas muito pobres e vulneráveis possuem baixo nível de educação formal e pouco tempo para atividades que possam enriquecer o seu conhecimento, cultura e formação, como ler esse texto. Logo, se o senhor está lendo esse artigo, provavelmente não tem problemas de insegurança alimentar.
Mas ele existe.
TUDO PODE SEMPRE FICAR PIOR
Note na próxima figura que a temperatura do planeta tem aumentado.
Essa figura mensura a "anomalia na temperatura": subidas da temperatura que superam a média histórica. Quando a linha cinza sobe, significa que o planeta está ficando mais quente do que o foi no passado.
Sim, as ondas de calor que temos sofrido é outro indício de um planeta cada vez mais quente.
Isso importa para os países do Mercosul porque o custo de se alimentar também sobe em um planeta mais quente: muitas culturas, como o café, se tornam mais caras.
Como vimos, esses países têm problemas com insegurança alimentar. Em um planeta mais quente, isso pode ficar ainda pior.
Meio pessimista esse cenário, não é?
O QUE FAZER?
Como economista, posso antecipar que nós economistas sempre temos pitacos para melhorar uma situação!
Economistas são palpiteiros natos!
O que não quer dizer que esses pitacos são sempre corretos (muitos não o são).
De toda forma, aqui vão 3 políticas que poderiam amenizar o futuro das populações do Mercosul:
1) promoção da agricultura de pequenos produtores (ideia é aumentar a produção de alimentos e reduzir o preço deles)
2) transferência de renda para famílias diretamente expostas aos efeitos de um planeta mais quente
3) transferência de alimentos para essas famílias
Como todas essas políticas aumentariam o custo do governo em financiá-las, há a recomendação de criação de um fundo público fomentado por superávits primários (sobra de recursos quando o governo gasta menos do que arrecada - não é a realidade hoje do Brasil! Somos um país perdulário com as finanças públicas) exclusivamente para abastecer essas políticas.
Como ocorre com nossas vidas pessoais, o futuro social e econômico pode ser bom, ruim ou muito ruim. Tudo dependerá de políticas econômicas e decisões políticas.
MAIS?
Esse artigo é um resumo do texto que publiquei no boletim informações Fipe. Veja ele aqui. Estou na página 12.
É esse o artigo que foi contemplado com o Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia de 2025.

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