quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Resenha: Uma Breve História do Tempo (Stephen Hawking)

É Possível Viajar no Tempo? O Universo Está se Expandindo?

velha economia


Stephen Hawking dispensa apresentações. Foi um famoso físico teórico com relevantes contribuições. Estendeu sua fama ao escrever livros para o público leigo, ter um filme baseado em sua vida (A Teoria de Tudo) e ser alvo de piadas (e até participar) na série cômica da HBO The Big Bang Theory

Um desses livros, talvez o mais famoso, é Uma Breve História do Tempo, na qual Hawing nos apresenta, em termos didáticos e simplificados, as principais teorias da física que explicam o universo.

O autor nos diz que a física evoluiu desde os tempos de Aristóteles (300 anos antes de cristo) até os dias modernos. Enquanto, até por volta da Idade Média (1500), acreditava-se que os corpos ficavam em um estado de repouso, Newton e Galileu mostraram que esse não era o caso. 

Juntamente com as leis de Newton, a Teoria da Relatividade mostrou que não existe um tempo absoluto. Dependendo da localização de duas pessoas, elas iriam envelhecer em tempos diferentes. 

Para ilustrar a ideia, Hawking nos apresenta o paradoxo dos gêmeos. Se o primeiro viver em uma montanha e o segundo a nível do mar, o primeiro será um pouco mais velho - irá envelhecer mais rápido. Mas não iremos notar essa diferença, pois seria muito pequena.

Por outro lado, e esse ponto é explorado na obra prima Interstelar, se um dos gêmeos fizer uma viagem espacial, em uma velocidade próxima à velocidade da luz, o envelhecimento seria brutal. 

Todavia, como cada gêmeo tem o seu tempo, daí a inexistência do tempo absoluto, não faria muito sentido comparar a idade de cada um. 

Outra constatação (que eu não sabia) é a de que o universo é dinâmico, se expandindo gradualmente. Em outras palavras, o universo não é finito. Aqui é uma das contribuições de Hawking para a ciência: ele foi um dos pesquisadores que defendeu essa ideia, que seria anos depois apoiada por evidência empírica.

Consegue imaginar que vivemos em um mundo sem limites? E que por não ter limites, talvez não tenha tido um início? 

Não sei o senhor, mas eu tive dificuldades em abstrair e raciocinar com essas ideias. 

Temos as setas do tempo, um termo que denota a distinção do passado do futuro, mostrando uma direção para o tempo. O livro nos apresenta 3 delas.

A primeira é a seta termodinâmica. Ela nos diz que a desordem tende a aumentar com o tempo. A entropia denota que o estado de ordem é uma exceção e instável: o mais comum é o estado de desordem. 

Pense no seu quarto ou sua casa. Se não fizermos nada nela, deixarmos para lá, ela tenderá a migrar para a desordem, saindo da ordem. 

Outro exemplo: uma xícara de café está em um estado de ordem, mas uma vez que ela caia e se quebre, permanecerá no estado de desordem. 

A seta psicológica mostra que nós lembramos o passado, mas não o futuro (teoricamente, é possível a existência da viagem no tempo, como no filme De Volta para o Futuro, mas exige condições especiais para ocorrer). 

(Mas há complicações com a viagem no tempo: se voltarmos no passado, poderíamos mudar fatos? E se o mudarmos, o futuro iria ser alterado?).

Os buracos negros, que se originam pelo fim de estrelas, emitem radiação; a luz que vemos de estrelas e do sol toma tempo para chegarmos até nós: enquanto a luz solar leva 8 minutos, a de estrelas pode levar anos e anos.

A implicação? Se o sol deixasse de existir, demoraríamos 8 minutos para perceber isso.

Por outro lado, nas estrelas, talvez elas nem mais existam, mas ainda estamos recebendo a luz que leva anos e anos para chegar até nós!

Por fim, a seta cosmológica mostra que o universo está se expandindo e não se contraindo. 

No final da obra, Stephen nos atualiza a respeito das últimas descobertas da física. A mais impressionante, sem dúvidas, é a constatação de que não existe somente um universo, mas outros universos, ou seja, um multiverso

De novo, consegue imaginar essa dimensão?

Eu tinha curiosidade sobre esse livro, bem como sobre as teorias apresentadas. Então ler a obra me ajudou.

Mas eu tive dificuldades. Embora Hawking se esforce em explicar de forma simplificada todos esses conceitos, para um leigo em física como eu, não foi fácil pegar tudo. 

Eu consegui entender a ideia geral, mas os detalhes me passaram. 

Conforme teorias se acumulavam e eram discutidas com tantas outras, eu fiquei perdido algumas vezes. 

Hawking tem aquele viés acadêmico: parágrafos muito grandes, que terminam por ficar um pouco cansativos. 

Por mais que ele tenha se esforçado em ser didático, em alguns momentos o livro parecia meramente um artigo científico. Claro, sem equações e contas, mas ainda assim com nível difícil de acompanhar o autor.

O lado bom é que a essência da discussão é factível de ser acompanhada e compreendida. O leitor sairá com uma boa ideia sobre o universo que vive, bem como o estado de conhecimento da física.

Saberá que em poucos séculos abandonamos a ideia de que a Terra era o centro do universo, para uma na qual a Terra é somente um planeta em um universo de tantos outros universos. 

Ao que parece, não somos o centro de nada nesse universo.

Sim, é um erro colocar excessivo peso e importância em nossas existências (pense nas pessoas que consideram que o mundo gira em volta delas!). O universo, ops, digo, o multiverso é muito vasto para isso. E como eu disse, ele está em expansão.











Nenhum comentário:

Postar um comentário