Se Blindando do que Não Podemos Controlar
Deixa pra Lá rapidamente virou um best-seller internacional, ultrapassando 6 milhões de cópias e com várias traduções. Não é por menos, Mel Robbins tem um famoso canal no Youtube, é tida como influencer motivacional e, portanto, há vários recortes de seu vídeos junto com outros de atletas, famosos e pessoas bem sucedidas e também já escreveu o livro A Regra dos 5 Segundos, que também foi um sucesso de vendas (está na minha lista de leituras futuras).
Eu resolvi ler Deixa pra lá porque gosto das mensagens de Robbins no Youtube: ela se comunica bem, é clara em suas dicas e sugestões e é simpática. E o livro felizmente carrega esses traços.
A proposta do livro é nos auxiliar a ignorar, deixar para lá, fatores que não podemos controlar, como críticas. Essa é a parte do Let Them, que se traduz como "deixa eles" (curiosamente, na tradução do livro em português, a tradução foi Deixa pra Lá). A próxima etapa é o Let me, "deixe-me", no sentido de que devemos tomar ações para atingir o que desejamos.
Portanto, é um erro considerar que a obra é somente para nos ensinar a ignorar o que não podemos controlar, algo estoico. Parte significativa da obra é nos impulsionar para sair da inércia, fugir da zona de conforto, se esta nos prejudica.
Um exemplo. Suponha que sua família critique a sua carreira. Há críticas de que a sua carreira pode não gerar alto padrão de vida ou de status. Mel recomenda que ignoremos, "deixe-os" criticá-lo. Não temos controle sobre isso.
Por outro lado, se você confia na sua estratégia e nos seus planos, "deixe-me" tomar ações que façam com que as chances de sucesso subam, como aumentar a minha disciplina, consistência, dedicação, ousadia e investimento pessoal.
Nas palavras da autora, a "única pessoa que você consegue mudar é você".
Se suas emoções aparecem rapidamente, como aquela raiva que pode nos prejudicar, "deixe ela" se manifestar. Por outro lado, "deixe-me" ter auto controle e tomar um tempo para melhor me posicionar.
Mostrando a inclinação de coach motivacional, Mel nos dá várias dicas ao longo das páginas. Para ser bem sucedido, a receita é um feijão com arroz: tome ações todos os dias, faça o trabalho maçante, chato, irritante e desconfortável, mas o faça. Do it!!!
Nós temos o poder de fazer nossa situação melhorar ou aprender a aceitar coisas do jeito que elas são.
Nós também somos os responsáveis para se levantar diariamente e fazer progresso em nossos objetivos. Ninguém nos deve nada, mas nós devemos tudo para nós mesmos. Mel também é famosa pela frase: "ninguém está vindo te resgatar, ninguém" (essa frase bomba nos vídeos motivacionais do Youtube).
Essencialmente, a obra nos pede para tomarmos responsabilidades por nossas vidas. Ao mesmo tempo, mostra que esse processo não precisa ser muito duro - podemos focar no importante e ignorar o restante, o restante que não podemos mudar. Deixa eles!
Agora deixarei meu lado professor e pesquisador aparecer mais um pouquinho (na ciência, críticas são mais do que comuns - e bem vindas! Como melhorar de outra forma?).
A primeira crítica que tenho, principalmente em relação ao início da obra, é que Mel foi repetitiva em nos dizer que várias passagens e pensamentos eram baseados em ciência e pesquisa. Soa estranho pois, se é baseado em pesquisa, por que não citar esses trabalhos? Me pareceu forçado.
Uma obra baseada em pesquisa é facilmente perceptível.
Talvez Mel usou essa estratégia para se proteger e aumentar a credibilidade da obra. De toda forma, considerei um pouco estranho. Bastava citar trabalhos. Felizmente, na segunda metade do livro, alguns trabalhos são citados, dando suporte para as argumentações da autora.
Um ponto que não gostei, que aparece no final, são os ensinamentos de Mel para que principalmente mulheres (enquanto em toda a obra o público alvo era geral, no final ela foca nas mulheres) consigam mudar os seus parceiros.
Concordo em ajudar a melhorar nossos parceiros quando eles apresentam problemas graves, como alcoolismo e/ou sedentarismo, mas qual é o limite? Me pareceu uma forma de manipular as pessoas. E por que o foco nas mulheres?
Como não sou psicólogo, talvez eu posso ter interpretado incorretamente essa parte, mas ela me pareceu deslocada do todo da obra.
Em resumo, essas ressalvas não prejudicam a obra, que é de fácil leitura e fluidez, com empatia e alta abertura da autora, que nos conta vários episódios de sua vida, ajudando a contextualizar a discussão. A leitura não é muito profunda, mas atinge o seu objetivo.
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Postei um vídeo sobre o livro no canal do Velha Economia:

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