Incerteza geopolítica é ruim para os negócios
O mundo vai caminhando para um lugar estranho. Desde os ataques coordenados dos EUA e Israel contra o Irã, há discussões de escalada do conflito. Países árabes estão sendo atingidos, como o Emirados Árabes Unidos.
Mais atores podem entrar nessa guerra.
Eu imagino que o conflito poderá escalar para uma Terceira Guerra Mundial se a China e a Rússia entrarem na briga.
Falando em China, os EUA têm atritado nos últimos anos com os chineses em diversas áreas, especialmente a comercial.
Um grupo de pesquisadores criou o índice de tensões entre os EUA e a China (UCT). O índice contabiliza palavras relacionadas a tensões entre esses dois países em jornais selecionados. Se há aumento no número de termos relacionados a tensões, o índice sobe. Veja a figura abaixo.
A julgar pelo índice, as tensões dos EUA com a China têm aumentado desde 2002.
(nós economistas sempre estamos criando índices para representar termos abstratos, como incerteza, felicidade e satisfação)
(adoramos contabilizar e enumerar sentimentos e efeitos)
(por conta disso, algumas pessoas nos criticam por frieza e simplificação)
Eu fiz um teste: será que o aumento das tensões entre EUA e China afetariam a produção de energia renovável?
A resposta foi positiva.
Intuitivamente, sabemos que incertezas econômicas, políticas e globais são sempre ruins para os negócios - ou pelo menos para a maioria dos negócios.
E a transição energética envolve muito investimento de longo prazo.
E a regra é clara: incerteza assusta investidores.
Eu escrevi essa discussão no boletim de informações da Fipe neste mês. Veja aqui. Meu texto está na página 51.
Tempos Estranhos?
Em 2020, vivemos a Covid-19, que nos colocou em nossas casas, durante os lockdowns - sempre irei achar estranho usar uma palavra inglesa quando temos uma em português: confinamento.
Em 2022, a Rússia invadiu a Ucrânia; guerra que chegou aos seus 4 anos. O fim da guerra terá de envolver a perda de território por parte da Ucrânia.
No mesmo ano de 2022, embora com menos mídia, o Paquistão enfrentou uma catastrófica inundação, deixando um terço do país submerso e impondo o deslocamento de 30 milhões de pessoas.
Em 2023, Israel foi atacado por grupos terroristas e invadiu a faixa de Gaza, cometendo inicialmente retaliações, mas depois genocídio pouco disfarçado (amigos que me cunham de "direita" acham estranho eu afirmar esse tipo de coisa - errados estão eles em me etiquetar dessa forma).
Em 2024 e agora neste mês, o Brasil foi golpeado também com inundações, no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais.
A mudança climática está se soltando.
E neste mês estamos vivenciando o que talvez seja o maior conflito dos últimos anos.
Esperemos que as águas e nervos se acalmem e que soluções diplomáticas sejam acordadas.
O planeta tem problemas que não se resolvem na base das armas.

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