Como a lei da gravidade, ele sempre está presente
O efeito dominó é algo presente na economia.
Um evento ocorre em uma localidade; digamos, uma guerra no Oriente Médio.
Embora países como o Brasil não participem da guerra, mesmo que indiretamente, eles serão afetados.
Os preços do petróleo estão subindo para cifras de 100 dólares o barril (antes da guerra o valor oscilava entre 70 e 90 dólares).
Como nós brasileiros usamos petróleo para praticamente tudo, há o repasse dos preços por aqui - ainda ocorrerá.
E isso é um exemplo de efeito dominó: um encadeamento de reações que atinge tantos mercados, tantos setores e tantos outros países.
É uma das dificuldade da economia: tudo se mistura e é afetado.
É difícil atribuir causalidade.
Mas nós pesquisadores tentamos.
EFEITO DOMINÓ EM OUTRAS ÁREAS
A mudança climática é outro exemplo de efeito dominó.
Os maiores poluidores do planeta são a China, os Estados Unidos e a União Europeia, mas os efeitos da mudança climática não ficam restritos nesses países.
Sofrem ainda porque o prejuízo econômico para pequenos comerciantes e famílias vulneráveis continua após o desastre.
Recomeçar é difícil para esses grupos.
Em parte porque operam com baixa reserva financeira.
Como o pequeno comerciante, que perdeu todo o seu estoque, material e maquinário, irá se reerguer?
Bom, meu ponto é que embora o Brasil não seja um grande poluidor, ele sofreu os efeitos da mudança climática.
Efeito dominó.
E A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA?
O mesmo pode ser dito em relação à transição energética.
Países que passam a produzir energia renovável, como a solar, a eólica e a hidráulica (tome nota, o Brasil é um grande produtor de energia hidráulica), podem influenciar outros países.
Mas como?
Há o efeito pares: como nós humanos, países tendem a copiar o que os vizinhos fazem.
Talvez porque não querem ficar para trás.
(Isso talvez explique a bolha no mercado de ações dos EUA: empresas de inteligência artificial estão investindo cada vez mais para não ficarem para trás)
A COP30, que ocorreu no ano passado aqui no Brasil, em Belém, é uma forma de gerar coordenação dos países.
Líderes mundiais vieram e discutiram o mesmo tópico: transição energética.
Outra forma de entender o efeito dominó da transição energética é pensar na economia.
O próprio mercado pode gerar esse efeito.
COMO?
Imagine que empresas que produzem energia renovável passem a ter lucro crescente.
Logo, suas ações também tenderiam a subir.
Isso iria atrair novas empresas para o ramo - tão logo uma oportunidade de lucro é descoberta, o mercado é inundado com investimentos.
Portanto, dizemos que o mercado financeiro transmitiria o efeito da transição energética.
FALEMOS DE MIM
Eu mostrei que esse efeito de fato existe.
Eu analisei as transições energéticas do Canadá, dos EUA, da Zona do Euro e da China.
Meu modelo mostrou que essas transições afetam outros países.
Na economia, chamamos esse efeito de efeito de transbordamento.
O artigo foi publicado nesse mês na revista Science of the Total Environment. Basta clicar aqui.
MORAL DA HISTÓRIA
A Covid-19 nos ensinou que vivemos em um mundo conectado.
O que ocorre no país A irá provavelmente afetar todo o resto do planeta.
E isso também é válido para a transição energética.
Você, caro leitor, pode ser contra ela, não gostar de carros elétricos (um dos subprodutos da transição energética), mas saiba que eles chegarão até você.
O mesmo para painéis solares, turbinas eólicas e companhia.

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