terça-feira, 17 de março de 2026

Resenha: A História do Crescimento do Século XXI (Nicholas Stern)

É possível preservar o planeta e gerar crescimento econômico?

velha economia


Nicholas Stern é um dos principais proponentes da agenda verde: políticas públicas para conciliar a redução do desmatamento e promover a sustentabilidade ambiental com o crescimento econômico. Neste sentido, a obra A História do Crescimento do Século XXI: A Economia e as Oportunidades da Ação Climática é um resumo de sua agenda profissional.  

O objetivo do livro é mostrar que é possível termos crescimento econômico com a preservação do planeta. As duas coisas não são mutuamente excludentes. 

Portanto, países poderiam ficar mais ricos e ao mesmo tempo mais verdes, com a conservação de suas florestas e biodiversidade. 

Sim, é um objetivo ambicioso.

Mas a obra se esforça em mostrar que é possível.


É REALMENTE POSSÍVEL?

Nicholas nos diz que a ação climática gera crescimento econômico

Pense nos desastres ambientais, como as inundações que destroem a infraestrutura de cidades (como minha cidade natal, Ubá, passou recentemente por isso, estou vivendo o que o livro me mostrou e o que estou escrevendo). 

A destruição de ruas, do comércio e de casas coloca um custo enorme sobre a população. 

De novo sobre Ubá? As lojas Pernambucanas e Americanas decidiram fechar e sair da cidade de forma permanente.

Teremos pessoas desempregadas, que consumirão menos (portanto, a economia vai girar menos) e menor oferta de produtos. 

É um tipo de empobrecimento da cidade e da região.

Neste sentido, a ação climática (aumentar a permeabilidade do solo, rios e bueiros limpos, drenagem eficiente e preservar áreas verdes), que poderia evitar inundações, teria mantido as lojas na cidade, teria evitado todo o prejuízo da população. 

Veja que a ação climática funcionaria como uma proteção, um seguro contra tragédias ambientais. 

O livro inova ao argumentar que devemos cuidar do capital natural, que corresponde à área verde, como florestas, ar, água, oceano e terra. Não faz sentido destruir o capital natural para gerar crescimento da renda, como ocorreu no passado. 

Exemplo atual é a China, a qual percebeu a degradação da qualidade do seu ar, e tem tomado medidas para melhorá-lo, ou seja, melhorar o seu capital natural. Como um burocrata chinês mencionou: "de que adianta o país se tornar rico se o seu ar não pode ser respirado?"

Há evidência de que o custo da energia limpa, como a solar e a eólica, juntamente com o custo de baterias, está se reduzindo, abrindo espaço para a expansão desse tipo de energia. 

Abaixo eu coloco uma das figuras do livro que evidencia essa queda.

velha economia

A queda do custo da bateria pode representar um ponto de inflexão dos carros elétricos, cujo custo se concentra nas baterias. 

PRÓXIMA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL?

O livro mostra que a sexta revolução industrial será na China (veja a figura abaixo). Enquanto as duas primeiras foram na Inglaterra, e as últimas 3 nos EUA (estamos na era da tecnologia de informação), a próxima é dos chineses.

(eu não sabia de que tivemos 5 revoluções industriais; mas vamos ignorar esse recorte - embora ele faça sentido)

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Concordo que Donald Trump tem facilitado esse espaço para a China. 

Por exemplo, na COP30, os EUA deixaram um espaço que os chineses ocuparam (felizes e sorridentes: não é sempre que um rival entrega o jogo de forma tão fácil e ingênua).

A China tem produzido crescentes quantidades de energia solar e eólica, além de concentrar grande quantidade de minerais críticos

Portanto, a China estará preparada para obter os ganhos dessa possível revolução industrial, que seria baseada no uso de energia renovável. 


HÁ DESAFIOS

Mas o caminho não é tão fácil.

Há países que não estão engajados com a transição energética e com a sustentabilidade ambiental.

Os EUA é um deles.

Os países produtores de petróleo são outro grupo que não irão deixar de produzir petróleo.

Todavia, os efeitos da mudança climática estão avançando.

Pode ser que, conforme a situação se agrave e piore, países ainda reticentes mudem de ideia.

Vamos ver.


PRÓXIMOS PASSOS:

O livro mostra 5 recomendações de políticas para que países se adaptem à mudança climática, ao mesmo tempo gerando crescimento econômico. São elas:

1. Transição energética (produzir energia renovável e abandonar a energia de combustível fóssil, como o petróleo, o gás natural e o carvão

2. Adaptação e resiliência (como se preparar para inundações)

3. Financiamento para as vítimas de desastres

4. Preservação do capital natural

5. Transição justa (permitir que a transição energética beneficie de forma mais ou menos homogênea toda a população - sou cético a isso).

Desses pontos, gostei muito do 4, que reflete um novo pensamento.

A ciência econômica ignorou por muito tempo o capital natural - focou sempre no crescimento econômico.

Desconsiderando o impacto negativo nas florestas e no meio ambiente. 

Essa mudança é bem vinda e positiva.

Que mais mudanças ocorram.

Talvez não teremos tanto tempo para discuti-las. 






































 

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