Não tem como escapar da guerra dos EUA com o Irã
Se a China se tornar a potência econômica, política e geopolítica nas próximas décadas, isso seria um problema?
Contextualizando com os dias atuais, a potência atual, os Estados Unidos da América (EUA), está guerreando com o Irã.
Há quem critique os EUA pelo fato do país intervir em vários outros países.
Nos últimos meses, vimos a intervenção dos EUA na Venezuela, e agora no Irã.
No passado, os EUA tiveram outras tantas guerras. Algumas vitoriosas, como as Guerras Mundiais, e outras desastrosas, como a guerra do Vietnã.
É UM PROBLEMA DA GRANDEZA
Antes dos EUA, a potência global era a Inglaterra, e como os EUA, ela também gostava de uma guerrinha.
A Inglaterra superou a Holanda como potência mundial, e a Holanda, Portugal. Todos guerreavam.
Me parece que o país que se torna potência tem essa tendência a agredir outros.
Vá saber por quê!
Atualmente, a China não tem guerreado com outras nações.
Por enquanto?
Se a história serve para nos guiar no futuro, tudo indica que a China, se ela conseguir se tornar a potência mundial, irá agredir outras nações.
QUAL A ESTRATÉGIA CHINESA?
A China tem apostado na inteligência artificial (IA) e na transição energética.
Há indícios que os chineses irão dominar a IA. Os próximos anos nos dirão.
Na transição energética, talvez porque é uma das áreas nas quais pesquiso e estudo, me parece mais claro o papel líder que os chineses estão assumindo.
Cada vez mais.
Quando o resto do mundo acordar, os chineses já estarão dominando mercados energéticos.
É o caso das terras raras, mineral crítico para a produção de energia eólica, veículos elétricos e dispositivos elétricos, como baterias.
A China é praticamente monopolista neste mercado.
Os chineses estão chegando.
E A SENSIBILIDADE?
Mercados financeiros são sensíveis a quase tudo que acontece na economia.
Mesmo o que não acontece pode afetá-los!
Basta que os participantes do mercado acreditem que algo possa ocorrer.
Eu mostro que as taxas de câmbio se alteram quando países elevam tanto a produção quanto o consumo de energia renovável no texto do Boletim de Informações Fipe deste mês. Veja aqui (página 8).
É um resultado natural. Como consumidores e produtores alteram os seus comportamentos, a economia também responde a essas mudanças.
Mas voltemos a falar da guerra.
COMO NÓS FICAMOS?
É a velha regrinha que eu explico no ebook A Estranha Lógica da Economia Brasileira: como vivemos em um mundo globalizado e integrado, o que atinge o país A, não importa o quão distante e longe, irá nos afetar.
A guerra dos EUA com o Irã vai nos afetar.
Apesar dos bombardeios estarem a aproximadamente 12 mil quilômetros de distância (distância de uma linha reta entre Irã e Brasil), a economia sempre tem um jeito de nos cutucar.
A atenção está nos preços do petróleo, que têm subido constantemente.
Bem, na verdade a guerra já chegou até aqui: os preços de gasolina nas bombas dos postos foram reajustados.
Se essa despropositada e insensata guerra continuar, os preços irão se elevar ainda mais.
Não sou especialista em guerras, mas estou com a impressão que os EUA, se insistirem na guerra, invadindo o Irã por terra, podem repetir algo da guerra do Vietnã.
Como economista, posso dizer que, para além do custo humano e emocional,
quanto desperdício de recursos!
PERDENDO O FOCO
Os EUA têm a concorrência da China nos setores tecnológicos, de IA e na transição energética.
E estão simplesmente descarregando e jogando recursos em uma ofensiva que pouco irá reposicionar o país na dianteira geopolítica.
Para quem argumenta que os EUA estão em declínio, o governo de Donald Trump sem dúvidas acelerou essa tendência.
O primeiro golpe, o qual defendi que era um tiraço (de escopeta, fuzil, lança-mísseis, pode escolher) no próprio pé, foram as tarifas comerciais.
Uma grande insensatez em termos econômicos.
Difícil de justificá-las (e alguns tentam justificar!!!).
Agora essa guerra que está drenando recursos do Estado, desviando a atenção do que seria realmente necessário e elevando o custo de vida.
Custo de vida que, diga-se de passagem, irá prejudicar a imagem de quem iniciou a guerra.
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