terça-feira, 24 de março de 2026

Quem Salvará a Indústria Nacional?

Mudança climática é elemento prejudicial à indústria

velha economia


O setor industrial enfrenta um cenário desafiador.

Os preços do petróleo estão subindo, especialmente os preços do diesel. Isso significa que tanto o frete e o transporte ficarão mais custosos.

A importação de peças e equipamentos ficará mais custosa.

Não para por aí.

O petróleo é usado em etapas produtivas, como a geração de calor e de eletricidade.

Dependendo da indústria, o petróleo contribui com plásticos, fertilizantes e tintas.

Tudo tenderá a ficar mais caro por conta do preço mais elevado do petróleo.


TEM MAIS

Como tudo que está ruim pode ficar ainda pior, o aquecimento global pode impor novos custos sobre as indústrias.

Batendo na tecla que tenho enfatizado nas últimas semanas: há o custo direto de desastres climáticos, como inundações.

Minha cidade natal tem sofrido com isso. Para quem não sabe, é Ubá, cidade da Zona da Mata mineira.

Em Ubá, por exemplo, a indústria de móveis (Ubá é um polo moveleiro, com fábricas de móveis em todo canto) foi atingida pelas consequências da enchente. 

Ruas e instalações foram totalmente destruídas.

Em outras palavras, a infraestrutura foi perdida.

É custo sobre os produtores.


E A NÍVEL MACROECONÔMICO?

No Brasil como um todo, a mudança climática pode ser associada a pelo menos outros dois efeitos.

O primeiro é sobre a taxa de câmbio reais por dólares.

Trabalhos empíricos mostram que o câmbio tende a se depreciar frente a mudanças climáticas.

O câmbio depreciar significa que o valor reais por dólares sobe.

Precisamos gastar mais reais para comprar dólares.

As importações se tornam mais caras!

O custo de vida também, pois precisamos importar muita coisa para vivermos. 

O mesmo para empresas: as suas importações ficarão onerosas.


BAQUE NO INVESTIMENTO

O investimento também tende a cair com a mudança climática. 

Eu adiantei a situação de cidades sofrendo com inundações.

A destruição da infraestrutura, perda de inventário e a redução do capital de giro faz com que empresas posterguem ou mesmo deixem de investir.

Que lembremos do grande economista John Maynard Keynes.

Ele dizia que as expectativas eram muito importantes para a realização de investimentos.

Empresários e investidores otimistas com o futuro investirão mais!

Pensam, estejam certos ou enganados, que irão lucrar mais.

Mas como ficam as expectativas após inundações? Com a perda de patrimônio?

Eu imagino que as expectativas se tornem pessimistas (conversando com alguns empresários ubaenses, esse é de fato o caso). 

Portanto, o investimento não resiste a desastres climáticos.


A SOMA DE TODOS OS MEDOS

Juntando tudo, temos:

i) impacto direto de desastres climáticos

ii) depreciação do câmbio

iii) queda do investimento

Pela soma desses fatores, e como descrevo no meu ebook A Estranha Lógica da Economia Brasileiratemos que a produção industrial também irá cair.

A desindustrialização tende a se acentuar em um cenário que reúne esses elementos.

É essa historinha que eu mostro empiricamente na minha mais recente publicação acadêmica, O Impacto de Anomalias na Temperatura sobre a Produção Industrial, na revista Climate. O artigo está aqui

Mostramos que isso ocorre para 17 países, incluindo o Brasil.


VOCÊ TAMBÉM NÃO ESCAPA

Embora a discussão tenha sido realizada para empresas, ela pode ser estendida. 

Você, caro consumidor, também irá sofrer com tudo isso.

O aumento do preço do petróleo irá aumentar o custo de vida, isto é, aumentar a inflação nacional.

A mudança climática é relacionada com o aumento dos preços de alimentos - elevando o custo de vida.

E depreciações cambiais, ao encarecer importações, prejudicam o seu consumo. 

Sim, não somente o setor industrial está sofrendo, nós consumidores poderemos também vivenciar tempos muito difíceis. 










 

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