segunda-feira, 20 de abril de 2026

Quem Dera

Se tivéssemos um bom debate econômico

velha economia


As eleições presidenciais se aproximam e os prováveis candidatos, Lula, atual presidente, e Flávio Bolsonaro, provável herdeiro do capital político de Jair Bolsonaro, estão, ainda que aos poucos e de forma fragmentada, soltando informações sobre como iriam administrar a economia.

Nada de muito animador.

Uma crítica que eu tenho com o debate econômico nacional é que ele mira excessivamente pontos que não irão nos transformar em um país rico e desenvolvido.


EXEMPLOS

Vez ou outra o banco central é criticado por manter taxas de juros de dois dígitos. 

Os críticos argumentam que uma taxa tão elevada encarece o investimento, prejudicando as empresas - a indústria nacional, em particular. 

Há quem diga que o banco central implementa essa política para enriquecer os investidores, especialmente aqueles que miram a renda fixa. 

Ok. Concordo com esses efeitos: o investimento de fato encarece e investidores de renda fixa auferem maiores ganhos.

Todavia, o banco central acerta em manter uma política de juros elevados.

Juros altos controlam a inflação.

Impedem que o real perca valor a ponto de vivermos uma hiperinflação, quando a moeda vale praticamente nada e os preços sobem todos os dias. 


MAS É O CURTO PRAZO

O problema de criticar o banco central é que estejam os juros elevados ou não, isso pouco importa para o futuro do país.

What?

Explico: entre os fatores que geram prosperidade em 20, 50 e 100 anos para países, a política monetária do banco central não é um desses fatores. 

E veja que esse ponto não é controverso em uma ciência com tantas controvérsias. 

(economistas são famosos por discordarem em quase tudo)

As mudanças nas taxas de juros afetam o curto prazo (1 ou 2 anos), mas não afetam o que determina a riqueza das nações. 

Ainda que tivéssemos a menor taxa de juros do planeta, o Brasil ainda seria o Brasil.

Com alta desigualdade de renda, baixo salário mínimo e baixo poder de compra para as famílias.

Além, é claro, do alto endividamento familiar, ponto que está tirando o sono do atual presidente.  


OUTRO EXEMPLO?

O debate enfatiza excessivamente o aumento da dívida pública e o gasto do governo.

Concordo que ambos deveriam ser melhorados.

A dívida pública, no melhor dos cenários, deveria estar se reduzindo, ou no mínimo se estabilizando.

O gasto público deveria ter tendência decrescente.

Mas veja que ainda que o setor público tivesse as contas em dia, uma baixa dívida pública e gastos contidos, ainda seríamos o Brasil que conhecemos!

Ora ora, não acha estranho?

É que, de novo, no longo prazo, na corrida de riqueza entre países, a dívida pública e o gasto do governo são pouco relevantes. 

Tanto a dívida quanto o gasto importam no curto prazo.

No curto prazo...


EIS O MEU PONTO

O debate olha muito para o curto prazo, para o que está ocorrendo agora.

Deveríamos olhar para o futuro!

Construir perspectivas.

Planejamento e planos.

Uma direção segura para nos tornarmos um país rico e desenvolvido. 

Mas esse debate pouco ocorre.

Essa é uma das críticas que realizo no ebook A Estranha Lógica da Economia Brasileira

O debate econômico precisa urgentemente melhorar. 


DIGA ENTÃO

Como argumento no ebook, precisamos primeiro entender por que a nossa produtividade, o principal fator para a geração de riqueza de países, é baixa

A consequência seria discutir reformas para aumentá-la.

Reformas que levam anos e anos para gerar efeitos positivos.

Mas que são necessárias.

E vou ser sincero - são muitas reformas.

Pouco populares.


OUTRO PROBLEMA

Há quem diga que não se vence eleições no Brasil cuspindo um economês. 

Nós brasileiros não queremos ouvir de economia.

Será?

Se esse é o caso, então nosso destino está selado. 

O que dizer dos eleitores que se recusam a discutir seriamente economia? Mas que gostam de discutir coisas de curto prazo?

Ou que preferem discutir temas pouco relevantes para nosso futuro econômico?

Portanto, talvez nós tenhamos culpa no cartório...

Em geral, políticos falam o que eleitores querem ouvir.

Se eleitores apenas se preocupam com os juros do banco central e a  dívida pública, portanto, questões de curto prazo.

Continuaremos sendo um país de curto prazo.

Mas quem olha apenas para o presente e para o curto prazo não costuma se sair bem no final.

É assim nas fábulas (a cigarra, curto prazista, perde para a formiga, com visão de longo prazo e planejamento).

E ouso dizer que é assim também na economia.










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