O tempo não para, nos ensinou Cazuza
A vida é difícil.
Quando estamos lidando com uma dificuldade, a ponto de superá-la, eis que surgem problemas adicionais.
A vida não pede licença, vai acontecendo.
A propósito, "A Vida é Difícil" é o título do bom livro de Kieran (resenha aqui).
O QUE ACONTECEU?
Com explicações esdrúxulas e pouco razoáveis, Donald Trump impôs uma tarifa sobre o Brasil de 25%.
Verdade que não parece algo pessoal, pois Trump tem feito esse tipo de movimento em outros países.
É estranha essa estratégia: não funcionou no início do ano passado, e tudo leva a crer que não funcionará.
Digo e repito: tarifas não são políticas que enriquecem países.
Vai é prejudicar a vida dos americanos.
SOFREREMOS TAMBÉM?
Os efeitos esperados para o Brasil são as quedas de vendas de produtos para os EUA.
Ou seja, nossas exportações para lá irão se reduzir.
Empresas exportadoras, diretamente afetadas, terão de buscar outros mercados e clientes.
No curto prazo, ocorrerá rearranjo no emprego e salário, possivelmente com quedas nos lucros.
Mas com o tempo a tendência é que tais efeitos deixem de existir.
Não, é claro, para os americanos, que terão suas importações mais caras do que antes, pois como todo imposto, e a tarifa é um imposto, ela irá elevar o custo de vida.
Daí a minha estranheza de Trump buscar reduzir a inflação de seu país e ao mesmo tempo impor tarifas mais altas.
Duas coisas que se contradizem!
NOSSO CUSTO DE VIDA
O cenário internacional não tem ajudado o Brasil.
Guerras e tensões entre países tendem a elevar os preços de alimentos, principalmente os importados.
E nossa cesta básica (arroz, feijão, leite, carne, ovos) é em grande parte importada.
Portanto, agitações no mundo podem afetar esses preços.
É esse resultado que eu mostro no meu artigo publicado no Boletim Informações FIPE (veja aqui, página 58).
Eu mostrei que o aumento das incertezas na geopolítica encarecem os alimentos nacionais.
QUANDO TUDO VAI MELHORAR?
Não estou otimista com a melhora do cenário externo - parece que a normalidade é a ocorrência de constantes choques.
Israel parece irado, sem deixar de entrar em conflitos.
A Rússia não desiste da Ucrânia, por mais que os recursos russos estejam sendo drenados.
Trump também não sossega, sempre criando atritos pouco úteis.
E os chineses avançando, sem grande alvoroço, na inteligência artificial e na transição energética.
MAS É ASSIM MESMO
Mas viver e continuar nossas vidas é assim.
Dificuldades sempre vão existir e surgir.
Cabe a nós navegar nesse mar inquieto e cheio de incertezas.
Para o Brasil, as novas tarifas de Trump irão gerar mais desafios, especialmente para o banco central.
Pode ser que a taxa de juros Selic não caia tanto quanto pensamos no início do ano.
Vamos ver.
LADO POSITIVO?
Como eu mostro no curso gratuito de finanças que postei no blog, a taxa de juros Selic elevada é uma boa notícia para o investidor.
A renda fixa paga mais juros quando a Selic está alta.
Para toda situação difícil, podemos achar um meio de minimizar os danos. Aí está um.

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