O livro para dominar o mundo e as pessoas
Eu iniciei a leitura da obra As 48 Leis do Poder pensando que eu iria ler um compilado de dicas e regras práticas para a vida - para nos tornarmos melhores pessoas e mais produtivos.
Que surpresa que tive ao perceber que eu estava completamente equivocado!
O livro é sobre se tornar mais poderoso, mais forte e melhor posicionado no jogo da vida.
Não pense em moralidade ou valores. O livro nem mesmo cita esses termos.
Para quem gostou da obra O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, as 48 leis é uma extensão, um guia mais completo e mais amplo para conseguirmos alçar nossos objetivos - ainda que em detrimento de outros.
E aí temos um ponto controverso.
É moral prejudicar outros para ganharmos terreno? Mentir para sairmos melhor? Trapacear?
O livro não entra nessa discussão - mas ele recomendará passos nessa direção!
O livro é sobre manipular os outros, tratá-los como peças úteis.
Fãs da série Game of Thrones podem se lembrar de vários momentos da saga nessas 48 leis.
Portanto, imagino que a leitura possa não agradar a todos.
Mas uma coisa eu posso adiantar: ainda que seja altamente controverso seguir algumas das leis, é recomendável que saibamos que existam pessoas que as seguem.
PONTOS PRINCIPAIS
No início da obra, Robert Greene nos diz o principal atributo que deveríamos possuir: dominar nossas emoções.
No jogo do poder, a raiva, por exemplo, pode revelar nossas intenções, mostrar fraqueza e a perda de amigos e aliados.
Não somente neste livro, mas em praticamente todas as obras que leio sobre aperfeiçoamento pessoal, o controle da raiva é desejável - ainda que difícil.
Greene diz que emoções como o amor e o afeto são prejudiciais, pois podem nos cegar para o nosso interesse - confundir as coisas.
Outra recomendação é que nos distanciemos do presente para que consigamos olhar de forma objetiva para o futuro, para o longo prazo.
Deveríamos nos portar como artistas, plásticos o tempo todo, se adaptando a variadas situações.
Além de enganar os outros com nossa flexibilidade, a paciência é bem vinda para que saibamos o melhor momento para agir - ou não agir.
Sempre esteja calmo e objetivo.
E AS LEIS?
Como são muitas leis, irei apenas discutir algumas que achei interessante.
Lei 4: Sempre Fale Menos do que o Necessário
Já reparou em filmes e séries que um personagem todo poderoso não se explica muito?
Já ouviu o ditado que "ações falam mais alto que palavras"?
Então, é recomendável que não nos expliquemos muito - podemos revelar segredos e planos.
Podemos frustrar o ouvinte - ele ou ela pode nem mesmo acreditar.
O falar menos pode nos deixar com um ar de mistério, de pessoa mais confiável (ainda que não seja!).
E quando falamos, estamos falando o que sabemos, podemos perder a chance de aprender com os outros, ao ouvi-los.
Falar muito pode também tirar algo de especial que as pessoas atribuem a você - deixe-os curiosos.
Lei 9: Vença através de suas ações, nunca através de argumentos
Essa lei é quase uma consequência da anterior.
Ações se auto explicam - não precisamos falar e falar sobre elas.
Outro ponto sobre ela é que muitas pessoas são teimosas com suas ideias e visão de mundo. É praticamente impossível mudar as pessoas.
Todavia, há a chance de mudá-las se elas perceberem algo que funciona, que oferece melhores oportunidades.
Dificilmente será pela argumentação, ainda que lógica e racional.
Pessoas são mais sensíveis a exemplos e ações, e menos a argumentações morosas.
Lei 10: Evite o infeliz e o sem sorte
Como acontece na apresentação de todas as leis, o autor nos conta um fato histórico (esse é um dos pontos fortes do livro; ele é uma coleção de boas histórias com personagens famosos) e nos mostra como a lei se relaciona com ele.
O capítulo dessa lei mostra como reis e príncipes sucumbiram ao insistir em ter como companhia pessoas infelizes e problemáticas.
Greene argumentará que parte dessa infelicidade é criada pela própria pessoa: a forma como ela reage ao mundo, o ambiente em que vive, os conflitos e tensões que promove.
Corra delas!
Elas podem o puxar para esse mundo, drenando suas energias.
Lembre-se que tanto o seu tempo quanto sua energia são limitados.
Portanto, ao alocá-los em pessoas que os sugam, você também estará sendo afetado.
Cuidado com suas companhias.
VALE A LEITURA?
Eu diria que sim, o livro merece ser lido.
Como adiantei, ainda que não tenhamos a intenção de usar todas as leis, saber que elas existem, e que são aplicadas por algumas pessoas, é importante.
Muita ingenuidade pode ser prejudicial.
Devemos saber andar no mundo em que vivemos - e neste sentido o livro nos ajuda muito.
O livro O Caminho da Servidão, de Hayek, dizia que ditadores são pessoas ruins e desprezíveis porque tiveram que passar por cima de muitas pessoas, amigos e aliados para chegarem no topo - seria o caso de déspotas como Stalin.
Hayek não nos deu detalhes de como seriam essas ações.
Mas as 48 leis preencheram essa lacuna! Saberemos em detalhes como pessoas muito poderosas chegam lá (e o caminho não é bonito).
Eu recomendaria a leitura da obra simultaneamente à avaliação de nossos valores e moralidade - pode ajudar a nos posicionar e a entender as aplicações das leis.
48 leis é a estrada que Maquiavel traçou no seu livro, mas que faltou pavimentar em maiores detalhes.

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