"Vida Fácil" na atual conjuntura é raridade
Recentemente conversando com uma pessoa, ela reclamou de suas finanças: "hoje em dia está tudo muito caro, nosso dinheiro não compra muita coisa como no passado".
Ok, de fato, como a inflação tem sido sempre positiva no Brasil, é verdade que o valor do nosso dinheiro tem caído com o tempo.
A mesma pessoa me informou que ela atualmente trocou de carro e está pagando o seu financiamento. Também está financiando uma casa. E também pretende viajar para o exterior no final do ano!
Eu ficaria surpreso se a renda dela ainda desse conta disso tudo.
Como mostro no curso gratuito de finanças do blog, o financiamento pode ser uma armadilha.
Ele corrói parte de nossa renda.
FUTURO E PRESENTE
Toda compra no crédito significa que estamos pedindo mais dinheiro do futuro para usar no presente para fazer uma compra.
É como se admitíssemos que nosso orçamento não consegue comprar algo.
Toda compra no crédito tem esse dilema entre presente e futuro.
Por isso pagamos juros no crédito: o preço do dinheiro emprestado.
E SE NÃO FINANCIAR?
O senhor pode me questionar: como comprarei uma casa, carro ou farei uma viagem legal sem o financiamento?
Ou mesmo comprar algo um pouco mais caro.
Digamos, um Iphone 17?
Há o planejamento como saída: como você sabe que irá precisar de x reais em 2 ou 3 ou mesmo 10 anos, comece a poupar e a investir parte de sua renda.
Ela irá crescer com juros.
E em poucos anos você será capaz de comprar sem financiamento.
E SE EU PRECISAR DA COMPRA HOJE?
Lembro do pai de Chris na série "Todo Mundo Odeia o Chris", que dizia: "o maior desconto é não comprar".
Brincadeiras à parte, não podemos esquecer que temos essa opção.
Temos a opção de não comprar e não financiar.
Não precisamos financiar um apartamento. Podemos viver de aluguel (eu moro de aluguel).
Não precisamos financiar um carro novo (há carros usados).
Na verdade, e esse é um truque bem sucedido do marketing e do consumismo, nós não precisamos comprar a maioria dos bens e produtos que são ofertados.
Comerciais e a cultura materialista nos fazem acreditar que precisamos comprar e adquirir bens e experiência.
Daí a quase obrigação de possuir carros, casas e outros bens de valor elevado (viagens caras entram também).
Temos muita dificuldade em dizer não para nós mesmos.
O QUE OS ANTIGOS DIZEM?
Um dos meus hobbies é ler textos de filósofos gregos e romanos.
Recentemente eu li Seneca, Marco Aurélio e Epiteto.
Os estoicos.
Entre os tantos conselhos para viver uma boa vida, em nenhum deles havia a recomendação de comprar coisas onerosas, se endividar e viver pagando parcelas.
Também não havia a recomendação de ser bem sucedido (profissionalmente) e muito rico.
São objetivos contemporâneos.
Então não precisamos ter essas metas?
Não estou dizendo isso.
Longe disso!
Meu ponto é que fazemos e buscamos muitas coisas sem muita reflexão.
Fazemos porque somos ensinados e incentivados a fazer.
Como comprar com financiamento.
CUSTO DE VIDA NÃO PARECE QUE VAI CAIR
A guerra do Irã com os Estados Unidos parece que deu uma trégua.
Embora seja difícil afirmar algo concreto.
Vimos que uma guerra longe do Brasil nos afeta: o preço do petróleo sobe e ocorre um efeito cascata com o custo de outros produtos.
Chega no nosso bolso.
Machuca mais ainda quem tem dívidas.
O orçamento fica ainda menor.
NOVAS GUERRAS?
Eu e um grupo de professores argumentamos que a busca por minerais críticos pode se tornar um novo foco de disputas entre países.
No artigo científico (The Relationships Between Oil, Critical Minerals, and Military Expenditure: Evidence from the U.S. and China) publicado na revista Games, nós mostramos que o gasto militar da China aumenta conforme novas minas de minerais críticos são descobertas.
Tão logo há minerais críticos, o gasto militar expande.
Por quê?
Talvez porque os chineses aumentam a proteção dessas áreas para evitar "invasores".
SEU BOLSO NOVAMENTE
Quanto mais os dias passam, mais tenho certeza de que o mundo nunca foi um lugar muito tranquilo.
Vivemos em meio a diversos eventos, dificuldades e "surpresas" pouco agradáveis
Temos de planejar o longo prazo e nossa vida, mas é difícil ter precisão sobre como será o futuro.
No caso de nossas finanças, guerras e a crescente importância de minerais críticos podem impor novas dificuldades.
Principalmente para quem comprometeu parte do orçamento com dívidas.
As dívidas costumam ser teimosas, não vão embora rapidamente.
E às vezes quando vão, somos vorazes em criar novas.
Vai entender.

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