quarta-feira, 17 de junho de 2026

Resenha: Inteligência Emocional (Daniel Goleman)

A inteligência intelectual não é toda a história - precisamos da inteligência emocional

velha economia


Como entender o desempenho superior de pessoas com nível modesto de QI em relação às pessoas com altíssimo QI? Sabe aquela pessoa que não é lá tão competente, mas consegue se relacionar com muitas outras pessoas e receber promoções? Daniel Goleman nos fornece a resposta no seu livro Inteligência Emocional

Para um não psicólogo, leigo no tema, como eu, meu objetivo era entender o que era inteligência emocional. E descobri que é bem mais amplo do que eu tinha imaginado.

Mais ainda, concordo com o autor quando argumenta que a inteligência emocional pode superar a inteligência intelectual medida pelo QI e nos ajudar muito no progresso de nossas vidas, tanto nas esferas pessoal quanto profissional. 


O QUE É ISSO?

Lembro muito bem quando a expressão inteligência emocional apareceu em minha vida. 

Eu, minha irmã (Bárbara, psicóloga) e meu parceiro de cursos de educação financeira, Gerson, estávamos em Ubá, cidade recentemente inundada por fortes chuvas, tomando sorvete, em uma típica tarde ensolarada e quente (a cidade é muito quente). 

Gérson estava conversando pelo celular quando ficou pálido.

Teve um desentendimento com uma pessoa próxima.

Nas palavras de minha irmã, eu respondi com total falta de inteligência emocional, mandando ele "voltar ao normal e se comportar como homem" - sim, eu sei, foi machista. 

Gerson respondeu com outra não muito boa sentença: "vai se f*". 

Minha irmã concluiu: "vocês dois têm zero inteligência emocional".

Olhamos para ela, como se ela fosse um alienígena e tivesse dito algo de outra língua, e perguntamos: "o que é isso?"


MAS AGORA EU SEI

Inteligência emocional é um conjunto de habilidades pessoais que lidam com nossas emoções, como a capacidade de se auto motivar e persistir frente a fracassos, controlar o impulso e postergar gratificações, regular nosso humor e manter o estresse a níveis controlados (a ponto de não prejudicar nossa capacidade de tomar decisões razoáveis), ter empatia e esperança

Em outras palavras, inteligência emocional é saber responder aos eventos que ocorrem e situações pelas quais passamos, de forma a não perder o controle e tomar decisões ruins tanto para nós mesmos quanto para os outros.

Sentiu raiva e disse coisas que se arrependeu depois? Sinal de falta de inteligência emocional. Sinal de que não soube gerenciar suas emoções!

Gerenciar nossas emoções!

Por isso as psicólogas estão com agendas lotadas! Falamos e discutimos muito pouco dessas coisas. 

Não somos treinados e ensinados a saber a lidar com nossas emoções e impulsos. 

Essa é outra mensagem do livro: inteligência emocional deveria ser ensinada nas escolas, na educação básica, para nos capacitar a vivermos melhor, a enfrentarmos melhor os tantos reveses que teremos. 


UM NOVO PARADIGMA

Goleman nos diz que deveríamos abraçar um novo paradigma.

No passado, a mensagem era tomar decisões e racionalizar sem a influência das emoções. 

Agora, por outro lado, deveríamos harmonizar a razão com a emoção

Dada a quase impossibilidade de eliminar sensações e sentimentos, muito melhor aprender a lidar com eles.

E como o mundo e a vida não nos pedem licença, que saibamos fazer isso o quanto antes, pois eventos bons e ruins não tardarão a ocorrer, exigindo boas habilidades emocionais. 


ACREDITAR?

O otimismo razoável (não ingênuo) e a esperança são qualidades para uma boa vida. 

Eles ajudam a seguirmos em meio a negativas e frustrações.

Ajudam a lidar melhor com adversidades, pois a esperança mostra que podemos conseguir algo, não importa o quão difícil seja a tarefa.

O otimismo nos empurra para frente, a se levantar, evitando o marasmo e a falta de ação.

Just do it! Nos ensina a Nike. 


NADA DE BRIGAS

O livro é rico em mostrar estudos apoiando suas conclusões.

Em um desses casos, um pesquisador mostrou que conflitos (verbais e físicos) podem ser reduzidos se tivéssemos melhor comunicação

Evite assumir conclusões apressadas e não pense que o outro irá saber por leitura mental o que o incomodou.

É preciso assertividade

Diga o que o incomodou sem atacar a pessoa - um dos erros de comunicação, atacar o outro durante a conversa. 

Eu aprendi que ficar mudo durante uma discussão não é bom também! 

Estarei mais bem preparado para as futuras DRs que me aguardam.


DESAFIO DE ARISTÓTELES

"Qualquer um pode ficar com raiva — isso é fácil. Mas ficar com raiva da pessoa certa, na medida certa, no momento certo, pelo motivo certo e da maneira certa — isso não é fácil."

Palavras de Aristóteles.

Concordo inteiramente. 

Acredito que todos nós, em algum momento, testamos o desafio de Aristóteles - e falhamos.

A raiva é um sentimento complicado.

A inteligência emocional nos capacita a entendê-la, a tomar medidas para administrá-la e a não reagir como um maluco gritando e socando.


APRENDI TUDO?

Gostei muito de conhecer essa obra e o conceito de inteligência emocional.

Como vivo no mundo acadêmico, o qual tem fama de abarcar muitas pessoas, digamos, "estranhas" e pouco comuns, é fácil perceber a falta de inteligência emocional.

Na verdade, os diplomas de graduação, mestrado e doutorado, além da leitura de artigos científicos, melhoram nossa inteligência intelectual, mas não a emocional. Eis a razão da confusão!

Nós da academia também não somos ensinados a lidar com inteligência emocional. Nem sabemos que isso existe!

Agora eu sei.

E espero aplicá-la.

Mas, claro, continuarei estudando e praticando. 

Como o livro nos ensina, erros irão ocorrer, mas a leitura desses erros, o exame deles, a reflexão e a compreensão do que foi feito incorreto, irão melhorar nossas decisões futuras.










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