terça-feira, 30 de junho de 2026

Copa do Mundo é Tudo?

Não deveria, mas ela continua mexendo com a vida de nós brasileiros 

velha economia


Além dos custos que toda guerra impõe sobre a população, o recente conflito entre os EUA e o Irã pode adicionar um novo custo, e com ares de ser permanente. 

Há conversas entre o Irã e Omã para que um pedágio, leia-se imposto, seja cobrado sobre os navios que atravessarem o Estreito de Ormuz.

Será uma péssima notícia para Donald Trump, que tenta terminar a guerra com um acordo minimamente aceitável.

Concordo com os jornalistas do Wall Street Journal, que brincaram sobre o Irã, dizendo que o país sabe mais usar o Estreito para causar danos e caos do que para fazer o próprio país se tornar rico e desenvolvido

Claro, a piada pode chegar até aqui no Brasil também, embora o alvo não seja propriamente um canal de navegação, mas nossos recursos, como reservas de minérios e de petróleo.

Temos os recursos e as ferramentas, mas não conseguimos usá-las para fazer o país avançar.

Como disse anteriormente, estou cético e pessimista com as eleições presidenciais. 

Me parece que continuaremos a ter o mesmo de sempre.

Quem vencer não irá resolver nossos problemas.


OLIMPÍADAS E COPA DO MUNDO

Assistindo ao jogo do Brasil contra o Japão, válido pela fase de 16 avos da Copa do Mundo, fiz uma piada com meu amigo de que era inaceitável o Japão vencer a seleção brasileira. 

"Já não basta serem melhores em quase tudo, agora serão no futebol também?"

Tudo terminou bem - em termos futebolísticos.

O Brasil venceu, sofrendo, mas venceu.

O Japão mostrou que está aprendendo a jogar futebol.

O que não é uma surpresa.

Os japoneses aprenderam a reconstruir o país após 2 ataques nucleares, depois de uma humilhante derrota na Segunda Guerra Mundial e de ser ocupado por outro país por alguns anos. 

Quem dera se aqui no Brasil soubéssemos fazer o mesmo!

Os japoneses são cerca de 123 milhões e terminaram em terceiro lugar nas últimas olimpíadas de 2024, em Paris.

velha economia


Luccas, qual a relação de Japão, Copa do Mundo e Olimpíadas?

Veja que logo abaixo do Japão aparece a Australia, com 28 milhões de pessoas. A França tem 69 milhões. 

Nós com 210 milhões não conseguimos ficar no top 5 de nenhuma Olimpíada.

Se olhar para as últimas Copas do Mundo, temos também patinado, com eliminações precoces. 

Tenho a impressão de que não conseguimos tirar o máximo de proveito possível de nossa população

As Olimpíadas servem como proxy - termo usado em trabalhos científicos para representar algo.

Suspeito que se um dia corrigirmos o Brasil, também iremos melhorar no ranking das Olimpíadas.


PAÍS DO FUTEBOL

É difícil encontrar uma cidade brasileira, entre os mais de 5 mil municípios, na qual não tenha um campo ou quadra de futebol.

O país é mobilizado para o futebol - foco intenso.

Não deveríamos ser muito, mas muito superiores aos demais?

Ainda mais com uma população tão mais numerosa do que a dos países que citei?

Meu ponto é: me parece que além do desperdício com recursos produtivos, também não aproveitamos muito bem o material futebolístico

Se países menores do que o Brasil conseguem montar boas seleções, tem algo de errado conosco!

A Alemanha (que ficou em 10º lugar na última Olimpíada) tem 4 Copas do Mundo com população de 84 milhões, quase um terço de nós.

Nós, país do futebol, não deveríamos ter umas 10 copas? 15?

Dada a ênfase em um único esporte, eu acho estranho termos apenas uma copa a mais do que a Alemanha e a Itália.


SEJA MAIS DIRETO

Há um argumento na literatura que explica por que países são pobres e ricos que se baseia na forma como usamos o que temos.

Ele é assim: países pobres não usam muito bem a tecnologia que possuem, os seus recursos naturais, o seu capital humano (escolaridade das pessoas) e suas máquinas.

O resultado é que países pobres extraem um rendimento inferior ao que poderia ser obtido.

Países ricos, por outro lado, conseguem extrair elevados rendimentos dos seus recursos. 

Eu acho que nós também não usamos da melhor forma possível os jovens brasileiros aptos a virarem jogadores de futebol.

E imagino que esse problema ocorra no esporte em geral.

Desperdiçamos o potencial de nossos jovens, eis a verdade.


VOLTANDO AOS EUA E AO IRÃ

Se a guerra dos EUA com o Irã envolveu mais coisas do que sabemos, ela terá implicações para o futuro do planeta.

Por exemplo, na minha mais recente publicação acadêmica, eu e o professor Emilson mostramos que os EUA enfatizam a produção de combustível fóssil face a uma conjuntura de maior incerteza, como a atual. 

Nem todo país segue esse caminho. A China, por exemplo, enfatiza a produção de energia renovável, como tem sido a sua estratégia há anos. 

A inundação de carros elétricos corrobora esse ponto. 


QUAL O SEU PONTO?

Comecei falando de guerra, fui para Copa do Mundo e voltei para a guerra - com pitacos na transição energética.

Como argumentei a um tempo atrás, na economia tudo é junto e misturado

É difícil separar eventos. 

A Copa do Mundo está em andamento enquanto EUA e Irã negociam um acordo de paz. 

A seleção brasileira avançou e me parece que muitos esquecem dos nossos problemas econômicos e políticos.

Sinal ruim para nós. 

Hoje, por exemplo, o STF recuperou privilégios que vinham sendo questionados pela sociedade.

A Copa esfriou as críticas que os juízes vinham recebendo.

E sim, é assim que parte dos privilégios são criados e perpetuados (os romanos ensinaram bem esse ponto com a política do pão e do circo).

Enfim, o Japão foi eliminado ontem no futebol, mas como país nós temos muito que lamentar se olharmos para eles. 












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