terça-feira, 9 de junho de 2026

O Mundo Está Cada Vez Menor

Globalização nos aproximou - mas nem tanto 

velha economia


A Copa do Mundo irá começar em breve, fornecendo uma boa variedade de lazer, com jogos sempre interessantes e dramáticos – quando a fase de mata-mata se iniciar.

Não imagino que a seleção brasileira irá vencer essa copa, dada a superioridade de outros times, como o espanhol, o francês e talvez o inglês e o argentino.

Recentemente, no amistoso entre Brasil e França, mesmo com um jogador a menos durante o intervalo, os franceses dominavam o jogo. Fiquei impressionado com o entrosamento do trio de atacantes: Mbappé, Dembelé e Olise. Todos filhos de imigrantes.

Sem a globalização, no sentido de fluxos populacionais, o que seria do time francês?

 

O BLOG NÃO É SOBRE FUTEBOL

Estou sempre discutindo economia, política, transição energética e mudança climática neste espaço.

Às vezes arrisco um pouco em filosofia e psicologia, embora não sejam minha praia, bem longe disso – mas gosto dessas duas áreas de conhecimento!

Neste e no próximo mês, o futebol vai inundar o noticiário, e eu segui essa onda.

Mas apenas para contextualizar.

Que voltemos à normalidade.

 

GLOBALIZAÇÃO

É uma palavrinha muito falada, mas pouco compreendida.

Eu a antecipei já: globalização.

Normalmente globalização é usada para explicar a integração econômica e financeira.

Integração econômica é a maior proximidade entre países, realizando transações e acordos. A ideia de cadeias de valor se enquadra em um mundo globalizado: empresas não produzem tudo, elas terceirizam parte de sua produção. Essa terceirização incorpora muitos países.

É o caso da Apple com o seu famoso Iphone. Cerca de 30 países fazem parte da produção dos Iphones que chegam em solo brasileiro.

A globalização permite que a Apple corte custos e se especialize nas etapas principais.

É divisão do trabalho a nível internacional!

Aos não familiarizados com o termo, ele vem de Adam Smith, em sua Riqueza das Nações (resenha aqui). 

Smith mostrou que a especialização em etapas aumenta a produtividade: cada pessoa se dedica a uma tarefa.

Essa especialização atingiu o nível internacional.

Como ela irá evoluir no futuro?

 

UM PARÊNTESES

Sobre Iphones, no meu curso grátis deeducação financeira, eu mostro quantos salários mínimos precisamos para adquirir o mais recente Iphone.

Sete salários.

Durante o curso, uma das participantes me confidenciou que ficou com a “cara queimando” quando eu critiquei a compra de Iphones.

Vamos por partes.

Não é que eu critico.

Eu mesmo tenho um Iphone (o 15) e o considero ótimo para gravar meus vídeos no canal do Youtube.

A crítica recai quando, para comprar esse aparelho, nos endividamos, paramos de poupar, prejudicamos nosso investimento e passamos a ter problemas com nossas finanças.

Neste caso, não somente a compra do Iphone, mas quaisquer outros bens de valor elevado deveriam ser evitados.

 

O MUNDO GLOBALIZADO

Que voltemos a falar de globalização.

Além da globalização econômica e financeira, temos a globalização do fluxo de pessoas, com movimentos intensos de imigração (quando entra no país) e emigração (quando sai do país).

A globalização permite que nós possamos trabalhar em outros países, melhorando nossa renda e qualidade de vida.

Também podemos receber pessoas no Brasil.

O xenofobismo, preconceito com estrangeiros, cresceu juntamente com a globalização populacional.

Nós humanos somos difíceis!

Muitos preconceitos embutidos e enrustidos!

Que tenhamos como meta de aperfeiçoamento pessoal a superação desses preconceitos!

 

MAIS SOBRE GLOBALIZAÇÃO

Portanto, a globalização engloba o aspecto econômico, financeiro, populacional, tecnológico, de ideias, de inovação...

Em outras palavras, a globalização é o mundo se tornando mais plano, conforme ilustrado e argumentado no livro O Mundo é Plano de Thomas Friedman (resenha aqui). 

Globalização é a redução das fronteiras nacionais.

Tudo conectado.

 

E ASSIM CHEGAMOS NA POLUIÇÃO

Países que poluem afetam todo o planeta, pois os gases se espalham na Terra.

A globalização provavelmente amplificou esse efeito, dada a conexão entre as nações.

Por outro lado, há formas de amenizar esse problema.

Um deles é o financiamento climático: ativos financeiros destinados a financiar atividades que reduzam a poluição e as emissões de gases, como o gás carbono.

Mas será que esses ativos de fato ajudam?

A princípio, podemos pensar que sim.

Empresas podem se beneficiar com custos mais baixos, pois irão ter acesso a financiamento subsidiado se mudarem suas tecnologias, migrando para uma produção mais limpa e sustentável.

É um investimento que irá tanto ajudar o planeta quanto ajudá-las com custos menores.

Eu e dois professores testamos essa hipótese em uma amostra com 128 países. O artigo é International Climate Finance, Spatial Spillovers, and Carbon Intensity, publicado na revista Business Strategy and the Environment (artigo está aqui). Os resultados mostraram que de fato o financiamento climático pode ajudar a reduzir as emissões de gás carbono.

 

TUDO TEM SOLUÇÃO?

O financiamento climático é uma das ferramentas para combater a mudança climática.

Não é a única.

Mas ela mostra que é possível usar o mercado financeiro a favor do esforço em mitigar as consequências de um planeta cada vez mais quente.

Se todos os países adotarem o financiamento climático, pode ser que o planeta tenha um pouco mais de chance em lidar com a mudança climática.

Por outro lado, é sempre difícil criar um consenso entre os mais de 150 países que existem.

A globalização não mudou isso.




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