Globalização nos aproximou - mas nem tanto
A Copa do Mundo irá começar em breve,
fornecendo uma boa variedade de lazer, com jogos sempre interessantes e dramáticos
– quando a fase de mata-mata se iniciar.
Não imagino que a seleção brasileira irá
vencer essa copa, dada a superioridade de outros times, como o espanhol, o
francês e talvez o inglês e o argentino.
Recentemente, no amistoso entre Brasil e França,
mesmo com um jogador a menos durante o intervalo, os franceses dominavam o
jogo. Fiquei impressionado com o entrosamento do trio de atacantes: Mbappé,
Dembelé e Olise. Todos filhos de imigrantes.
Sem a globalização, no sentido de fluxos
populacionais, o que seria do time francês?
O BLOG NÃO É SOBRE FUTEBOL
Estou sempre discutindo economia, política,
transição energética e mudança climática neste espaço.
Às vezes arrisco um pouco em filosofia e
psicologia, embora não sejam minha praia, bem longe disso – mas gosto dessas
duas áreas de conhecimento!
Neste e no próximo mês, o futebol vai
inundar o noticiário, e eu segui essa onda.
Mas apenas para contextualizar.
Que voltemos à normalidade.
GLOBALIZAÇÃO
É uma palavrinha muito falada, mas pouco
compreendida.
Eu a antecipei já: globalização.
Normalmente globalização é usada para
explicar a integração econômica e financeira.
Integração econômica é a maior proximidade entre
países, realizando transações e acordos. A ideia de cadeias de valor se enquadra
em um mundo globalizado: empresas não produzem tudo, elas terceirizam parte de
sua produção. Essa terceirização incorpora muitos países.
É o caso da Apple com o seu famoso Iphone. Cerca
de 30 países fazem parte da produção dos Iphones que chegam em solo
brasileiro.
A globalização permite que a Apple corte
custos e se especialize nas etapas principais.
É divisão do trabalho a nível
internacional!
Aos não familiarizados com o termo, ele vem
de Adam Smith, em sua Riqueza das Nações (resenha aqui).
Smith mostrou que a especialização em etapas
aumenta a produtividade: cada pessoa se dedica a uma tarefa.
Essa especialização atingiu o nível
internacional.
Como ela irá evoluir no futuro?
UM PARÊNTESES
Sobre Iphones, no meu curso grátis deeducação financeira, eu mostro quantos salários mínimos precisamos para
adquirir o mais recente Iphone.
Sete salários.
Durante o curso, uma das participantes me
confidenciou que ficou com a “cara queimando” quando eu critiquei a compra de Iphones.
Vamos por partes.
Não é que eu critico.
Eu mesmo tenho um Iphone (o 15) e o
considero ótimo para gravar meus vídeos no canal do Youtube.
A crítica recai quando, para comprar esse
aparelho, nos endividamos, paramos de poupar, prejudicamos nosso investimento e
passamos a ter problemas com nossas finanças.
Neste caso, não somente a compra do Iphone,
mas quaisquer outros bens de valor elevado deveriam ser evitados.
O MUNDO GLOBALIZADO
Que voltemos a falar de globalização.
Além da globalização econômica e
financeira, temos a globalização do fluxo de pessoas, com movimentos intensos
de imigração (quando entra no país) e emigração (quando sai do país).
A globalização permite que nós possamos trabalhar
em outros países, melhorando nossa renda e qualidade de vida.
Também podemos receber pessoas no Brasil.
O xenofobismo, preconceito com
estrangeiros, cresceu juntamente com a globalização populacional.
Nós humanos somos difíceis!
Muitos preconceitos embutidos e enrustidos!
Que tenhamos como meta de aperfeiçoamento pessoal
a superação desses preconceitos!
MAIS SOBRE GLOBALIZAÇÃO
Portanto, a globalização engloba o aspecto
econômico, financeiro, populacional, tecnológico, de ideias, de inovação...
Em outras palavras, a globalização é o
mundo se tornando mais plano, conforme ilustrado e argumentado no livro O Mundo
é Plano de Thomas Friedman (resenha aqui).
Globalização é a redução das fronteiras
nacionais.
Tudo conectado.
E ASSIM CHEGAMOS NA POLUIÇÃO
Países que poluem afetam todo o planeta,
pois os gases se espalham na Terra.
A globalização provavelmente amplificou
esse efeito, dada a conexão entre as nações.
Por outro lado, há formas de amenizar esse
problema.
Um deles é o financiamento climático:
ativos financeiros destinados a financiar atividades que reduzam a poluição e
as emissões de gases, como o gás carbono.
Mas será que esses ativos de fato ajudam?
A princípio, podemos pensar que sim.
Empresas podem se beneficiar com custos
mais baixos, pois irão ter acesso a financiamento subsidiado se mudarem suas
tecnologias, migrando para uma produção mais limpa e sustentável.
É um investimento que irá tanto ajudar o
planeta quanto ajudá-las com custos menores.
Eu e dois professores testamos essa
hipótese em uma amostra com 128 países. O artigo é International Climate
Finance, Spatial Spillovers, and Carbon Intensity, publicado na revista Business
Strategy and the Environment (artigo está aqui). Os resultados mostraram que de
fato o financiamento climático pode ajudar a reduzir as emissões de gás
carbono.
TUDO TEM SOLUÇÃO?
O financiamento climático é uma das
ferramentas para combater a mudança climática.
Não é a única.
Mas ela mostra que é possível usar o
mercado financeiro a favor do esforço em mitigar as consequências de um planeta
cada vez mais quente.
Se todos os países adotarem o financiamento
climático, pode ser que o planeta tenha um pouco mais de chance em lidar com a
mudança climática.
Por outro lado, é sempre difícil criar um
consenso entre os mais de 150 países que existem.
A globalização não mudou isso.

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