Como Ser Feliz?
Jonathan Haidt escreveu o livro A Geração Ansiosa, que relatava as consequências do uso de celulares em nossas vidas. Ele mostrou que essas telas pioram a qualidade de nossas vidas: dormimos menos, concentramos menos e ficamos mais ansiosos.
Paradoxalmente, em um mundo de redes sociais e comunicação instantânea, ficamos solitários. Gostei do livro e decidi arriscar em outro livro, A Hipótese da Felicidade.
No livro, Haidt explora obras antigas de variados autores e culturas para mostrar como a felicidade foi debatida durante a humanidade. Há pontos comuns mas também muitos contrastes. Até hoje a pergunta "como ter uma vida feliz?" não é trivial.
Felizmente, o livro nos fornece uma direção.
Felicidade é o que ocorre entre nós e nossas relações (especialmente a amorosa), entre nós e nosso trabalho e entre nós e algo maior do que nós. Felicidade não pode ser adquirida ou conquistada. Devemos criar as condições próprias para que ela apareça e esperar.
O livro apresenta 10 capítulos para atingir essa conclusão. Temos capítulos recheados de estudos científicos, experiências do próprio autor, discussões de textos antigos e a contextualização desses pontos com o objetivo principal: explicar a felicidade.
A melhor analogia do livro é a de que estamos conduzindo um elefante: nem sempre ele irá nos respeitar, poderá seguir caminho próprio. É assim que ocorre com vários impulsos que temos, bem como vieses emocionais. Por exemplo, sentimos mais as perdas do que as vitórias. Logo, temos um viés por perdas.
Ainda que pensamos que possamos conduzir esse elefante, ele não necessariamente irá nos conduzir para nossa felicidade: o elefante aprendeu que prestígio, poder e riqueza melhoram nossas chances de sobrevivência. Somos projetados para sobreviver e não ser feliz.
Daí o equívoco de abdicar de fatores que elevariam nossa felicidade em detrimento de status social. A corrida que nunca acaba: o hamster que sempre corre a roda sem sair do lugar: nós buscamos mais renda, mais consumo, mais status.
Alguns pontos que melhoram nossa felicidade.
Reciprocidade: somos seres sociais com inclinação de reciprocidade. Boas ações e atos costumam gerar efeitos positivos para nós mesmos (quem os recebe irá reciprocar). Isso inclui palavras afetuosas.
Hipocrisia: reconheça que somos, todos, incluindo quem vos escreve, hipócritas. Julgamos e condenamos, fazemos comentários negativos. Mas cometemos erros parecidos com o que criticamos! Que coisa nós humanos, hein?
A solução é aceitar e reconhecer que somos hipócritas, em maior ou menor grau, e conduzir a vida de forma mais leve.
Progresso: Tendemos a nos sentir melhor e mais felizes ao longo da jornada, com pequenos progressos, e não quando atingimos a meta. Somos criaturas que temos de sempre estar fazendo algo. Outro ponto estranho de nós humanos.
Adversidade: Podemos extrair lições, resiliência e sabedoria de adversidades. Elas sempre nos espreitam, sempre aparecem - às vezes quando menos esperamos. Nunca estaremos totalmente preparados para as dificuldades da vida.
Reinterpretá-las ajuda a superá-las, mesmo as traumáticas.
A vida é o que julgamos dela: cada um de nós tem um mundo próprio, com valores e pesos. O que machuca o fulano A pode ser nada para você, e vice versa. Parte do nosso crescimento pessoal é aprender a deixar para o passado atritos com outros.
Reduzir a importância de tantas e tantas coisas que nos aborreceram no passado.
Aqui entra o elemento temporal. O tempo pode ajudar.
Amor: o autor diz que somos criaturas ultra sociais. Não conseguimos viver isolados. Como tenho lido em outras obras e aprendido na prática, o individualismo é um erro. Precisamos de companhia - e acrescento que é companhia física!
Nada de substituir pessoas de carne e osso com fotos e o mundo virtual.
Virtude e divindade: A busca por virtudes pode nos elevar, conforme consigamos nos tornar melhores versões de nós mesmos. O autor é contra a ideia de um mundo sem virtude, sem moralidade. E estou de acordo com ele.
A divindade significa projetar parte de nossa vida para algo além de nós. Transcender. Fazer parte de grupos e comunidades com metas de longo prazo, talvez de melhorar a vida na terra.
Passei a entender melhor a religiosidade após a leitura do livro. Parte da atração com religiões é abandonar o nosso eu e abraçar algo maior, menos egoísta.
Assim, a felicidade estaria tanto em nós mesmos, em melhorar a forma como entendemos nossas vidas, quanto no exterior.
Precisamos de amigos próximos, família e relações amorosas.
Precisamos de um trabalho que nos dê significado.
Precisamos de atividades e interações de algo maior do que nós mesmos.
Precisamos, portanto, nos colocar entre nós mesmos e esses elementos.
Como uma planta, que irá crescer sozinha com sol, água e um bom solo, também a felicidade irá aparecer sob essas condições.
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Vídeo sobre o livro aqui:

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