sábado, 21 de fevereiro de 2026

Resenha: Os Arquivos da Felicidade: Reflexões sobre trabalho e vida (Arthur Brooks)

É possível ser bem sucedido, rico e feliz

velha economia


O tema Felicidade é uma constante em nossas vidas. Se perguntar para todas as pessoas, a maioria dirá que deseja ser feliz. Mas será que nós estamos seguindo o caminho para a felicidade? Os livros A Hipótese da Felicidade (resenha aqui) e A Triste Verdade Sobre a Felicidade (resenha aqui) mostram que costumamos não seguir o caminho da felicidade: escolhemos o materialismo, a profissão e o distanciamento.

Somos contraditórios?

Arthur Brooks, professor de Harvard, autor de vários livros e colunista do jornal The Atlantic, diz que a culpa não é inteiramente nossa. 

A Mãe Natureza nos projetou, ou nós nos adaptamos para sobreviver (nos moldes da teoria da seleção natural de Darwin), a priorizar a acumulação de bens, riqueza e recursos, pois esses atributos elevam nossa chance de sobrevivência

E isso faz sentido.

Mas não no quesito felicidade.

Para a felicidade, nos diz Arthur, o que importa são 4 elementos: amor, prazer, satisfação e significado (propósito)

E claro, como nos ensinam os antigos, uma vida equilibrada também contribui para atingir a almejada felicidade. 

Uma das lições da obra é que, como uma empresa, temos de tomar riscos para termos uma maior recompensa. A empresa se arrisca para ter maior lucro.

Nós podemos nos arriscar para termos maior felicidade. 

A obra se divide em 5 blocos, vamos discutir cada um deles.


SEJA O GESTOR DE SUA VIDA

A primeira parte nos ensina a importância de fracassos.

Uma vida elevada e completa precisar ser permeada de falhas e fracassos, caso contrário você pouco tentou - permaneceu estático (lembre-se de que temos de nos arriscar).

A questão é posicionar fracasso não como ponto final, mas como um processo, uma progressão para se auto aperfeiçoar

Dependendo do seu trabalho, suas metas e ambições, tente conciliar o seu esforço com algo que dê sentido em sua vida. 

Caso o objetivo seja simplesmente material, pode ser que, uma vez obtido, um vazio irá surgir. Daí a importância desse objetivo possuir algum significado e propósito.

Pare de fazer o que você odeia. O autor foca em redes sociais. Elas nos divertem e distraem, mas pouco acrescentam além disso. 

Se o seu tempo é curto e escasso, por que gastar em inutilidades?

Aprenda a dizer não, principalmente para tarefas. Ninguém é feliz com um monte de coisas para fazer.  

Uma pesquisa mostrou que 91% das preocupações que temos não se materializam. Em outras palavras, a cada 10 coisas que nos preocupam, a probabilidade é que somente uma irá de fato ocorrer.

E a preocupação excessiva pode minar nossa felicidade. 

Arthur inova ao recomendar que gastemos nosso dinheiro com outras pessoas, ajudando, caridade ou mesmo entretenimento com pessoas que importam para nós.

Caso o seu orçamento permita, teste essa dica. Presenteie alguém.


CONSTRUINDO SUA CARREIRA

A segunda parte nos guarda duas grandes conclusões.

A primeira é de que o principal fator de felicidade no trabalho é o que acontece em nossa vida fora do trabalho

Meio paradoxal?

Pessoas felizes lidam melhor com frustrações, desafios e... com o próprio trabalho.

Tudo parece mais leve e tranquilo. 

Por outro lado, níveis de estresse elevado e raiva constante são sinais de uma vida ruim fora do trabalho.

O trabalho, neste sentido, poderia ser uma válvula para frustrações.

(Isso ajuda a ignorarmos ofensas e maus tratos: são reflexos da pessoa que nos insulta; dizem pouco sobre nós mesmos).

(Suspeito que as brigas e o estresse no trânsito também refletem esse ponto). 

A segunda conclusão, que eu antecipei, é que podemos comprar felicidade ao usarmos nosso dinheiro para termos mais experiências e companhias, ao contrário de termos mais bens e mercadorias. 

Como nos ensinou Platão, se tivéssemos que escolher entre ter tudo e viver sozinho, ninguém escolheria essa opção.


COMUNICAÇÃO

A parte 3 nos ensina a tolerarmos críticas e desafios no trabalho.

Uma dica boa é que nem tudo é pessoal

Aceitar críticas e feedbacks, por mais desagradáveis que possam ser, podem nos ajudar a corrigir erros. 

Seja transparente e mostre bondade.

E evite reuniões. Essa parte é difícil, dado que algumas reuniões profissionais são obrigatórias.

O autor mostra que reuniões online são relacionadas com quedas na felicidade.

São pouco produtivas (na verdade, nada produtivas; elas especificam diretrizes). 

Tomam o nosso tempo.

Cuidado com elas.


RELAÇÕES AMOROSAS E PROFISSIONAIS

Em um mundo em que construir networks pode nos ajudar, tente construir e cultivar relações duradouras.

Claro, use filtros. Corra dos narcisistas e dos ressentidos, que podem te alfinetar e jogar indiretas de minutos em minutos. 

Lembre-se de que felicidade no trabalho não advém de perseguirmos de forma irrestrita maior renda.

Temos de colocar ou achar significado e propósito em nossas vidas. 

Essa caminhada ficará mais leve se estivermos acompanhados.

Como a Covid-19 nos ensinou, não somos seres para vivermos isolados.

Somos seres sociais.

Passe tempo no natureza e sorria! Sorrir ajuda nas interações. 


SUCESSO

Já teve a sensação de vazio quando você desejou muito algo, mas, uma vez obtido, não teve a satisfação imaginada?

É que nós valorizamos muito mais o progresso do que o ponto de chegada.

Pequenas conquistas aumentam mais a nossa felicidade do que chegar na meta final.

Progresso.

Talvez a principal lição dessa parte é que se você deseja sucesso profissional, busque a felicidade. Buscar a felicidade não irá excluir suas chances de sucesso.

Pelo contrário, pode fazer com que os altos e baixos da vida sejam mais facilmente superados. 


EM RESUMO

Os Arquivos da Felicidade é um bom livro para aprendermos tanto a ter um trabalho legal (ou fazer dele algo legal) e aprazível quanto ter, ao mesmo tempo, uma vida boa e feliz. É possível elevar sua felicidade e riqueza.

E ter boas noites de sono, talvez 7 ou 8 horas?

O tempo é escasso, mas Arthur Brooks nos ensina a como usá-lo a nosso favor.

O único detalhe da obra que não me agradou é a falta de fluxo, uma vez que o livro é uma coleção de colunas publicadas no jornal The Atlantic. O autor tentou dar uma fluidez com o acréscimo de parágrafos e introduções, mas em alguns momentos a fluidez sofreu.

É comum em livros que reúnem colunas.

Nada de mais. Não atrapalhou a minha leitura e acredito que não irá atrapalhar a sua. 

No final, a obra levanta a reflexão: você, caro leitor, tem focado mais no ganho material e profissional ou em uma vida boa e feliz?










 


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