segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Não Somos um Golias

Mas também não somos um Davi 

velha economia


Felizmente, os dias de eleições presidenciais passaram no Brasil. 

Que voltemos à labuta diária - isso não iria mudar independentemente do resultado eleitoral. 

Tenho para mim que o ano de 2027 não terá muita surpresa no fronte econômico: precisaremos de algum ajuste fiscal. 

É totalmente possível governar e fazer políticas públicas em meio ao ajuste fiscal. Na verdade, essa é a recomendação ensinada nos principais livros de economia. 

Dizia o patrono das Ciências Econômicas, Adam Smith, que normalmente as boas práticas em nossas casas costumam também ser boas para o governo. 

Tente viver gastando mais do que arrecadando, ou seja, consuma mais do que a sua renda.

Por vários períodos.

Garanto que o resultado não será bom.


A DÍVIDA PÚBLICA

Os analistas contrários ao ajuste fiscal dizem que o aumento da dívida pública, por si só, não é necessariamente ruim.

Eu concordo, em partes. 

Uma alta dívida pública, com baixa taxa de juros, não é um problema. Pode vir a ser no futuro, mas no presente não é.

Todavia, esse não é o caso brasileiro!

A dívida nacional está sendo financiada a altíssimas taxas de juros.

Temos de fazer algo para mudar essa trajetória.

Esse algo é o ajuste fiscal.

Ou usemos outra palavra, menos carregada: desacelerar o gasto público. 

Ou ainda reduzir as isenções tributárias. 

Veja que nos dois casos teríamos queda do gasto com aumento das receitas.

Precisamos disso.


EXTERNAMENTE...

Imagino que o cenário internacional não irá nos ajudar.

As guerras em andamento não parecem ter um prazo para terminarem. 

O comportamento errático de Donald Trump sempre pode acrescentar mais incerteza em um cenário já altamente incerto.

Para um país do tamanho e importância dos Estados Unidos, o presidente, na minha opinião, deveria ser mais sóbrio, previsível.

O que ele faz repercute em todo o planeta.

Trump tem dados tiros no seu próprio pé. 

O maior deles, as tarifas.

Parece que os próprios americanos perceberam essas lambanças, com a queda de aprovação de seu governo. 


SEM OMISSÃO SOBRE AS ELEIÇÕES

Como palpiteiro neste espaço, breves comentários sobre as eleições.

Tenho a intenção de fazer um texto mais elaborado no futuro.

É que prefiro falar de economia, energia, mudança climática, e menos de política.

A família Bolsonaro está condenada a pagar o preço da COVID-19. Quando eleito em 2018, Jair Bolsonaro representou a quebra de confiança dos brasileiros com o Partido dos Trabalhadores (PT) e com Lula.

Fazia sentido.

O PT acumulava escândalos de corrupção (mensalão, Lava Jato) e a economia não estava bem (e continuamos nada bem).

(Os anos passam e nossos problemas não se alteram!)

Mas quem diria que Jair governaria de forma tão estranha - e "estranha" é um pleonasmo, que fique registrado.

Em uma pandemia, bastava apoiar as vacinas e deixar o ministro da saúde trabalhar. 

Além de não ter feito o óbvio, tivemos um mar de afirmações infelizes e deboches. 

Eu me questionava o porquê dele fazer essas coisas.

Por que se prejudicar tanto? Por que não fazer o feijão com o arroz?

Enfim, Jair Bolsonaro ressuscitou tanto o PT quanto Lula.

Concordo com o raciocínio de que os Bolsonaros são uma criação do PT.

O PT tem errado muito, e não parece que irá mudar a forma de conduzir o poder. Assim temos a ascensão de um radicalismo. 

Flávio Bolsonaro carrega os equívocos do pai.

Por exemplo, por que ofender a deficiência de Lula em pleno debate eleitoral? Na frente das câmeras?

Não era possível se abster do comentário?

Pensei: e se o Flávio for isso, como o pai, pródigo em afirmações infelizes e ofensas? 

De toda forma, não acho que Lula está à altura dos nossos problemas, como Flávio também não o está.

E para não ficar em cima do muro, estaríamos melhor, pelo lado da direita política, com um Tarcísio no poder.

No lado da esquerda política, com uma Tabata Amaral. 


VOLTANDO A FALAR DE ECONOMIA

Apesar da empolgação de Lula com a vitória e a intenção de fazer o Brasil se tornar um protagonista na geopolítica, não penso que isso irá se concretizar.

No cenário mundial, somos apenas mais um país. 

Claro, temos potencial para ser mais, mas não tomamos as medidas para chegar lá. Eu tracei uma receita que poderia nos ajudar aqui. 

Por exemplo, variados trabalhos acadêmicos mostram que nós somos muito mais absorvedores de choques do que promotores.

Explico o economês: iremos sofrer se algo no estrangeiro ocorrer, como uma guerra entre os EUA com o Irã, com o aumento do preço do petróleo.

Mas o resto do mundo irá sofrer pouco se, por exemplo, tivermos uma queda da bolsa de valores, como ocorreu no dia seguinte à vitória de Lula.

Eu confirmei nossa vulnerabilidade na minha última publicação acadêmica aqui. 

Por exemplo, nossa moeda oscila por conta da China, da Zona do Euro, dos EUA, do mercado imobiliário dos EUA, pelo risco geopolítico e pelo preço do petróleo.

A lista é grande!

Mas pouco afetamos esses atores que citei. 

Como eu disse, não somos um gigante na geopolítica, mas nossos presidentes têm aspirações. 






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